segunda-feira, 29 de maio de 2017

Do the right thing

Nunca pensei que pudesse alguma vez dizer uma coisa destas, mas a consciência é uma coisa tramada. A consciência lembra-me de que tenho valores e princípios, que sei o que é o certo e o errado, que em última análise sei avaliar o que é o bem e o mal. Isto seria tudo óptimo, se no presente momento eu não tivesse preferido ignorar esses dois pólos de certas situações e realidades. Na verdade, poderia identificá-las à minha vontade, só não queria avaliá-las, pois é aí que a porca torce o rabo. Sendo a porca possivelmente eu e o rabo também o meu!
O facto de fazer parte de uma sociedade de matriz judaico-cristã também não me facilita a vida. Se a consciência é tramada, a culpa é vinte vezes pior. Saber que se pode vir a fazer uma coisa que não está totalmente correcta (apesar de não trazer malefício para ninguém) não é especialmente agradável, mas a culpa de o ter feito e a possibilidade de energias negativas se apoderarem do desenlace dos acontecimentos é um fardo que eu, pelo menos, não quero. Nem sequer em teoria... Culpa do quê, pergunta o confuso leitor. Não sei, responde Maria Calíope, mas esta herança judaico-cristão funciona assim por defeito.
Maria Calíope andou dias a mortificar-se com estes dramas morais e mesmo depois de ter resolvido que agiria de forma recta, controlando os seus impulsos, continuou a torturar-se com as opções tomadas, uma vez que até determinado momento as decisões não eram de todo irreversíveis. Não iria fazer nada de mal, não iria prejudicar ninguém e, na verdade, ninguém nunca saberia o que ela ia fazer - mas não foi capaz. E não foi capaz em nome de um valor maior. Pelo menos na sua cabeça. Uma coisa não tinha a ver com a outra, mas e se tivesse? Valeria a pena arriscar um bem maior por causa de um capricho? Maria Calíope achou que não e ultrapassou todos os seus pensamentos nefastos e fez-se de morta, fazendo consequentemente a coisa certa. Funcionou e a sua consciência está limpinha, levezinha e ultra imaculada.
Agora é aguardar pelos rios de leite e mel. É a compensação merecida!
Vá, a matriz judaico-cristã tem de servir para alguma coisa!

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