domingo, 30 de abril de 2017

Em pleno Inverno, vestir um bikini

só pode significar uma coisa. Voltei ao meu desporto de Inverno preferido: as termas!

Sim, Inverno, enquanto andar a usar botas, cachecol, luvas e pijamas de veludo continua a ser Inverno.

Devo ter ficado sensivelmente mais de uma hora sentadita naquele jacuzzi gigante à espera que os meus dedos engelhassem! Há vidas difíceis!

sábado, 29 de abril de 2017

Colegialidade

Os títulos académicos na Áustria são de suma importância, o Estado identifica-os como parte do nome do cidadão. Julgo que este exagero está directamente relacionado ao facto dos títulos nobiliárquicos terem sido banidos com a queda do Impérito (acho eu). Bom, mas dizia eu que os títulos são muito importantes e eu, que fiz o doutoramento na Universidade de Viena, recebi do estado austríaco a autorização de usar o título de Dr.phil. Nessa altura, recebi automaticamente uma actualização do meu cartão de saúde com o meu novo nome. Isto tudo para dizer que quando vou ao médico sou anunciada, chamada e tratada por Frau Dr.
Ontem numa consulta, onde eu tive de me apresentar no belo modelito skinny jeans de ganga e botas pelo joelho (o que querendo ou não é sempre meio confrangedor, não propriamente pela parte vestida), o médico estica o braço para me cumprimentar e diz: "Olá... colega!"
É a segunda vez que isto me acontece. Eu tratei logo de explicar que não, não sou médica, mas que tenho um doutoramento em filologia. Pronto, foi o ponto de partida para toda uma conversa sobre as capacidades linguísticas... do médico.
E sim, está tudo bem, não tenho nada.

quinta-feira, 27 de abril de 2017

Sleepless

Preocupações... só pode... 
mesmo que sejam os meus first world problems.

quarta-feira, 26 de abril de 2017

Nas ondas dos teus cabelos

Não gosto de ir ao cabeleireiro. Nunca gostei. Aliás é das memórias mais tristes da minha infância. Eu a chorar enquanto a cabeleireira me cortava o cabelo. No entanto, ao fim destes anos todos reconheço a necessidade de ir cortar o cabelo de vez em quando. E este de quando em vez calha sempre quando estou em Lisboa. Normalmente aparo as pontas e pouco mais. Uma vez tentei um corte mais arrojado (um bob) e digamos que ninguém notou. Desta vez ia cortar os quatro dedos do costume, dar um jeito e pronto. A cabeleireira de serviço já enquanto me secava/esticava o cabelo cortado achou por bem fazer-me uma franja (perguntou antes de cortar). Não havia objecção da minha parte, apenas a recomendação de que não cortasse curto demais uma vez que o meu cabelo encarola. E saí do cabeleireiro com o mesmo penteado que usava na escola primária, em versão cabelo esticado. Nunca imaginei que fosse um autêntico hit... mesmo aqui em Viena. Poucas foram as pessoas com quem convivo que não teceram qualquer comentário ao meu novo corte. Aparentemente fica-me bem e favorece-me mais... Se antes parecia ter 25 anos, agora devo andar nos 12!

A única voz destoante deste coro de elogios foi a de um aluno meu que, com ar desolado diante do meu cabelo liso, me disse a deliciosa frase:

Fico à espera das ondas!


(Se não esticar o cabelo, fico com ar de futebolista dos anos 80 - aquele estilo à Futre, que aqui se chama vokuhila - uma coisa linda de se ver!)

terça-feira, 25 de abril de 2017

Areias movediças

À espera que o telefone toque, que o mail caia e que o raio o parta!
Nem acredito que vim parar a este terreno.
Calma, ainda tenho pé!

segunda-feira, 24 de abril de 2017

346º momento cultural: Festival de Cinema Francófono

Julgo já ter comentado algures que há anos - talvez desde que deixei de ter aulas lá em 2000/01 - que o francês deixou de ser rotina no meu quotidiano, apenas dando o ar da sua graça em conversas pontuais. No entanto, desde o ano passado que houve um alinhamento cósmico que voltou a pôr o francês no meu caminho através de rotas várias ao ponto de ser presentemente uma das minhas línguas do teclado do telemóvel!
Bom, a única coisa que nunca deixei de fazer foi ver filmes franceses - toda esta introdução para dizer que está a decorrer o festival de cinema francês e eu já vi a minha quota-parte. (Tenho que pensar melhor nestes textos, pois isto sai-me cada vez mais pessegoso).

Eis alguns dos ingredientes que mais gosto em filmes: relações interculturais. Aqui tínhamos uma família paquistanesa a viver na Bélgica. Filhos possivelmente belgas a viver integrados num mundo ocidental, cultivando as suas tradições familiares. O problema e o enredo do filme começa quando os pais querem casar a filha com outro paquistanês e achando-se muito modernos dão-lhe três a escolher... e ela não quer nenhum. Entre várias outras peripécias que confrontam ocidente e oriente, dá para perceber algumas perspectivas que nos parecem muito estranhas, pelo menos para mim, a questão da pressão social, as tradições e a honra da família. Não lhes consigo dar razão, mas pelo menos aprendi a ver as coisas de outro ângulo, mas aviso já que é um choque. 
E a miúda que faz de Zahira é tão gira... e confesso que adorei o vestido de noiva dela (é esse aí)!

Advogada bem-sucedida com uma vida amorosa desregrada, duas filhas a seu cargo, um ex-marido que resolve publicar a sua vida num blogue e um ex-cliente que se habilita a ser seu secretário/ajudante/assistente. A par disso um amigo acusado de tentativa de homicídio que lhe pede que o defenda. O filme longe de ser brilhante é engraçado e vê-se bem.

domingo, 23 de abril de 2017

345º momento cultural: Djodje

Uma das coisas que mais me tem feito ganhar cabelos brancos é a ideia de ir a um concerto em Lisboa e arredores. Gosto de ir a concertos, gosto de ver arte ao vivo e quando vou a Lisboa, tenho tido a sorte de haver concertos que não serão tão prováveis de assistir em Viena. Aqui, se quero ir a um concerto, compro o bilhete e vou. Em Lisboa, (ainda) tento arranjar companhia e descobrir como é que vou parar ao evento. E isto, o que poderia nem ser assunto, passou a ser um rosário de penas... Desta vez, queria ir mesmo ver o Djodje - bom quero mesmo sempre ir ver x ou y - e pensei que é ridículo conseguir dar três voltas ao mundo, fazer e acontecer em 4 continentes e depois quero ir a um concerto em Lisboa e não consigo. Não faz sentido.
A minha irmã - talvez por receio de eu ir para a Margem Sul sozinha - veio comigo ver o Djodje. Eu sabia que ela ia gostar, o que nem me lembrava era o quão divertido era sairmos as duas.
O concerto estava enquadrado no Surf Festival Caparica, ou coisa que o valha. Conforme entrámos, ficámos com a impressão que estávamos numa festa do secundário: miudagem manhosa para todos os gostos, miúdas ultra-preparadas para sair à noite, xoninhas que querem aparentar ser mais durões, etc.

Depois deste longo preâmbulo, deixem-me falar do concerto. Como o querido leitor sabe, eu transformei-me em fã do Djodje há coisa de meses e ter a possibilidade agora de o ver ao vivo foi um autêntico luxo. O público estava doido, cantavam, gritavam, sabiam as letras todas de cor. Eu diverti-me imenso e dancei ainda mais. O miúdo é giro, giro - a minha irmã também achou - e super simpático com o público. Cantou aquelas músicas todas que o youtube me toca, não cantou umas 4 ou 5 da minha dúzia de músicas... mas não fez mal nenhum. Só dei por falta delas já em casa. Em compensação, trouxe convidados (Dynamo e Ricky Boy).
Bom, como o caríssimo leitor deve imaginar, o concerto foi animadíssimo e nós gostámos imenso! A ver se repetimos a dose em Agosto!

Exploração

Acho um absurdo pagar mais de 300 euros para ir a Lisboa... (e não pago, recuso-me).
E aquele escalonamento das tarifas (com/sem mala, milhas, lugares marcados, papel higiénico, chulé do passageiro anterior) uma intrujice. Quem é que faz voos de mais de 3 ou 4 horas só com mala de mão? (Sim, ok, eu também já o fiz), mas e intercontinentais?!

sábado, 22 de abril de 2017

344º momento cultural: José de Almada Negreiros - Uma forma de ser moderno




As idas a Lisboa costumavam ser recheadas de momentos culturais e gastronómicos. Nos últimos tempos houve um curto interregno, mas desta feita voltaram as comezainas recheadas de histórias picantes e regadas de um vinho fresco. Fui e aprovei o Bastardo e o Café Buenos Aires. Era para haver cinema e teatro, mas fica para a próxima. No entanto, fui ver a exposição de José Almada Negreiros na Gulbenkian com a minha mãe, que me disse que já não lá ia desde... o meu baptizado (4 de Março de 1979)!
A exposição é enorme e estava bastante gente para um dia de tarde a meio da semana. Eu não conhecia muito além dos auto-retratos, dos retratos de Fernando Pessoa e mais um tríptico sobre a emigração. Por isso, surpreendi-me e adorei! É alegre, é versátil e é circense. Sim, foi a colecção de saltimbancos que me aqueceu o coração. Eu devo ter sido artista de circo noutra encarnação, mas mesmo há muito tempo, pois não gosto nada de ir efectivamente ao circo, mas adoro e até me revejo em todo o imaginário e versatilidade circense!
Bom, vejam algumas das minhas obras preferidas que é mais interessante que este blábláblá!



(Conseguirá o querido leitor de olho de lince ver a pequena gueixa que se esconde ao lado do saltimbanco-pierrot?)










sexta-feira, 21 de abril de 2017

Coisas que nos pertencem mesmo antes de as encontrarmos ou a hiperportugalidade entre emigrantes

Troquei os óculos Tom Ford por um Ana Aragão, como já tinha anunciado ao querido leitor. Mas só agora é que o trouxe de Lisboa. A história já se vem escrevendo há uns quatro anos e estou muito contente por concretizar mais uma ideia minha*. Queria ter um quadro dela na minha casa nova. O certo é que a casa ainda está para vir. Maria Calíope é esquisitinha, já se sabe, e tem dificuldade em bater os olhos no que quer que seja e gostar. Por isso quando gosta, é logo para agarrar. Já cá morava comigo o Babel e agora veio este fantástico Biennale di Veneza.

*Gosto muito de saber que as minhas palavras, mesmo que em pensamento, não são ocas, e que cumpro aquilo a que me proponho, ainda que possa demorar.

quinta-feira, 20 de abril de 2017

Vambora

Emalei a minha sobrinha e ela parece que gostou de habitar a minha mala. Ela não sabe que eu sou a tia preferida dela, caso contrário não teria berrado, quando tentei pegar nela. Deve ter sido estranho ver-me a 3D. Ao fim de uma semana, já éramos quase best buddies, quase pois fui preterida diante dos meus primos e tio. Eles têm barba. Deve ser isso. (ou então usam Axe bebés). Eu cortei franja, mas não surtiu efeito. Enfim, passei uma semana a ameaçar que a deserdava e ela não fez caso. Não percebeu o que estava em jogo. Ofereci-lhe uns sapatos e ela quase os comeu. Óptimo! No último dia comecei o processo de africanização e ela reagiu muito bem!

Há mais daqui a uns meses. Agora voltei à vida real sem choros repentinos e desesperantes! A TAP pôs este vambora à chegada a Viena e é isso mesmo! O caminho é para a frente!

quarta-feira, 19 de abril de 2017

O meu pequeno pónei

Eis o Maçãs :) desencantado pela minha mãe de algum saco de brinquedos vintage que agora estão a ser recuperados para a minha sobrinha. Minha sobrinha, a patroa, pois andamos todas cá em casa a gravitar em torno dela. Eu própria dou por mim sentada no chão a falar com diminutivos, relatando as músicas infantis que passam em contínuo na televisão ou a inventar jogos ou maneiras de a distrair. A minha paciência com crianças é qb, mas esta miúda vai fazer de mim gato-sapato... Desconfio.

Pés no chão (169)


No último dia de Paris - dessa viagem - fui visitar a Notre Dame.

terça-feira, 18 de abril de 2017

Senator dixit

"Epá, ao pé das tuas conversas com as tuas amigas, o meu grupo do whatsapp de vídeos porno com os meus amigos é uma cena de meninos!".

(E eu a achar-me uma atadinha-praticamente-flor-de-papel-de-parede)




Pés no chão (168)


5º andar sem elevador... pois, uma pessoa desce e reza a todos os santinhos não se ter esquecido de nada. De qualquer modo, valeu a pena ir para aquele quarto 25! Uns dias fantásticos em Paris, foi o que foi!



segunda-feira, 17 de abril de 2017

Pés no chão (167)


Se bem se lembra o querido leitor, Maria Calíope foi no ano passado a Paris ver a exposição do Amadeo Souza Cardoso. O hotelzinho onde fiquei tinha este chão fantástico!


domingo, 16 de abril de 2017

Iluminismo

O estimado leitor de boa memória saberá que este é um blogue Páscoa-friendly! É na noite de Páscoa que se acende o fogo novo, que simboliza a passagem das trevas para a luz. Gosto muito desta imagem de abertura e presença de espírito, de conhecimento, de esclarecimento. E é isso mesmo que me desejo a mim e ao meu querido leitor, caso acredite nestas coisas! Boa Páscoa!

sexta-feira, 14 de abril de 2017

Pés no chão (166)

Esta combinação ficou tão engraçada! Gosto imenso de combinar este vestido look-avozinha, com os botins azuis e as meias de rede roxas. Nunca pensei enquadrar o look com este chão de mosaico - salvo erro, da entrada do consultório do meu médico -  Giro, giro era conseguir andar sempre neste chão!!!

quinta-feira, 13 de abril de 2017

Copo meio cheio!

Seg, 14:36 - Maria Calíope faz o check-in online dos seus voos. Ou tenta. O segundo ainda não estava disponível para check-in. Que seca!

Ter, 9:04 - Maria Calíope faz o check-in do segundo voo. Incrédula, constata que já não há lugares à janela. Como é possível para um voo 10 horas depois. Tenta não se aborrecer e escolhe um lugar qualquer da meia dúzia disponível. O voo é curto e a Luftansa dá refeições quentes!

Ter, 15:54 - Maria Calíope vai despachar a mala de porão.
Ter, 16:10 - Parece que houve um erro técnico. O assistente de terra é visivelmente um estagiário. A supervisora pega nos documentos de Maria Calíope e leva-os para outro balcão. É pedido que aguarde um pouco.
Ter, 16:20 - Tudo exactamente no mesmo lugar. Maria Calíope ao balcão. Estagiário sem saber o que fazer. Supervisora no outro balcão. Maria Calíope pergunta o que se passa e afinal o estagiário deu a indicação do segundo voo em vez do primeiro, sendo que assim a bagagem não poderia seguir para Frankfurt. É necessário anular o registo e aparentemente é um parto muito difícil. Maria Calíope olha para as horas e avisa que pouco depois tem de embarcar (caso eles não tenham entendido) e que bom, bom era fazerem-lhe um upgrade.
Ter, 16:25 - Upgrade não houve, mas a mala foi despachada convenientemente. Maria Calíope só estranhou os funcionários não terem pedido desculpas mais vezes. A brincar foi mais de meia hora que ficou ali plantada, por uma falha interna. Devia treinar mais a minha capacidade reinvindicativa. Se fosse mais do género escandalosa, tinha um upgrade de certezinha.

Ter, 16:55 - Embarque. "Maria Calíope!" Era uma amiga minha que ainda não tinha visto este ano e também ia para Frankfurt! A fila de lugares dela ia vazia, por isso fomos as duas juntas em amena cavaqueira o voo todo! Drinks on the house, claro! :)

Ter, 19:20 - Depois de ter acompanhado a minha amiga ao terminal dela, voltei ao meu e foi o tempo para encontrar um lugar, quando ouço em alemão: "Caros passageiros, pedimos a um voluntário que se disponibilize para ir no voo seguinte, uma hora depois, para Lisboa, por se dar o caso de overbooking, e como compensação oferecemos 200€". Chegar a Lisboa uma hora depois? Maria Calíope nem esperou pela repetição do anúncio em inglês. Dirigiu-se ao balcão e apresentou-se como voluntária. "Eu não me importo de ir no próximo voo. Tem um lugar à janela?". Infelizmente não havia, mas o meu voo de repente ficou pago!. E que bom que tive esta presença de espírito e agilidade física, pois logo a seguir ainda vi duas ou três voluntários que foram recambiados para o voo de origem!
 

Pés no chão (165)

E para aproveitar estes dias de folga cá está a única foto de sempre de Maria Calíope com sapatilhas prateadas tilintantes, calças de aladino e cinto de moedas, prontíssima para as aulas de dança oriental!

quarta-feira, 12 de abril de 2017

11.000 metros

A altura ideal para consumir e produzir conteúdos científicos.


(A não ser que encontre alguém conhecido no avião)



Pés no chão (164)


Esta foto foi tirada sensivelmente há um ano e é engraçado estar a publicá-la precisamente agora quando a árvore com florzinhas transformar o jardim em festa de casamento indiano!

terça-feira, 11 de abril de 2017

Eclipse

Sol & Lua nova
Encenam drama & comédia
Numa exclamação


Fui presenteada com um livro de canções e haikais de Corsino Fortes quando estive em Cabo Verde. Acabei de o ler agora e apetece-me citá-lo quase todo. Que coisa bonita. Simples e certeiro. Admiro a sucintez e a precisão cirúrgica das palavras. Por isso, não se espante o querido leitor se nos cruzarmos novamente.

domingo, 9 de abril de 2017

Os dois lados da moeda



Se para o centro da Europa, isto são raios de sol. Para os lados da linha do equador (bom, mais ou menos), daqui sai uma brisa fresca!

As moedas têm dois lados por isso é bom que rendam... os dois!

I knew you were funny and smart, now I know you are a wonderful person


O título foi o que alguém sussurou no auricular de um dos entrevistadores acerca do Trevor Noah. Vejam isto (prestem o episódio do amigo Hitler a meio da conversa e repensem lá a vida) e isto (travelling is the answer to ignorance - e se não fosse por tudo o resto, só com esta frase já me conquistava). O homem para além daquele sorriso delicioso, tem um espírito clarividente e um discurso para lá de eloquente. Gostei tanto de o ouvir a falar e já aprendi qualquer coisa útil para a vida! Estou a pensar inclusivamente em comprar o livro Born a Crime!

(pronto, o caríssimo leitor já sabe que Maria Calíope tem tendências compulsivas-obsessivas)

(estou mesmo a ver que nos próximos dias vou consumir as outras dezenas de entrevistas disponíveis no youtube. Não se preocupe o estimado leitor que Maria Calíope há-de contar o que aprendeu.)

Adenda (9.4.2017): Vejam também a entrevista ao Guardian. É a terceira que eu vi e acho fantástico o facto de elas não se repetirem, apesar de serem todas sobre o livro.

sábado, 8 de abril de 2017

Num sábado sem nada para fazer


Maria Calíope resolveu ir fazer mais um furo nas orelhas. Foi ao sítio da outra vez e  de repente ouviu a furadora profissional a dizer:
"Mas, ó menina, não posso fazer mais para cima, pois já não tenho espaço e apanha a cartilagem... Não vê que esta orelha é mais pequena que a outra."

Oi?! Tenho uma orelha mais pequena do que a outra?! Como assim mais pequena? Como é que nunca reparei nisso em quase 40 anos.

Negão do momento XVII: Trevor Noah



Nem sei muito bem quando é que comecei a ver o Daily Show. Devo ter visto alguns episódios com John Stewart mas possivelmente foi na campanha eleitoral americana que passei a ver o programa com mais regularidade, já apresentado pelo Trevor Noah. As eleições foram o que foram, mas eu ganhei um novo entretenimento.
Os programas são super engraçados, apesar de porem o dedo em muitas feridas. E o raio do miúdo para além de ser piadético é tão giro e tem aquele ar ternurento e malandro de katxorinho de que eu falava no outro dia (pois, agora dei para isto... não sei onde anda a Maria Calíope que gostava de tipos espadaúdos de olhos azuis ou a outra que se derretia com cabelos cor de fogo).
Vão lá ver o Daily Show with Trevor Noah e depois digam-me coisas!

quarta-feira, 5 de abril de 2017

Realmente não sei bem o que quero

Há anos que desejo ter um secretário/mordomo para tratar das minha burocracias e de repente quando tenho uma pessoa (credível) a pedir-me dados e documentos para me marcar uma viagem, o que é que eu digo?

Desculpe, mas importa-se que seja eu a fazer as reservas e depois mando-lhe a conta? 

terça-feira, 4 de abril de 2017

Afinal não perdi a cabeça



Ainda não foi este o último capítulo da novela Maria Calíope vs Tom Ford.
Sim, tinha comprado os óculos, mas depois não gostei de me ver com esse modelo... só aí é que me apercebi que era muito parecido, mas não era o modelo de que eu tinha gostado. E não me pareceu fazer muito sentido ficar com uns óculos daquele preço só para me ficarem assim-assim. Foram devolvidos...

E como aqui em casa chapa ganha, chapa gasta, estou a pensar re-investir o dinheiro não num voo qualquer, mas sim em arte. Pode ser que venha mais um Ana Aragão viver cá comigo e com o seu familiar!


Handiedan

segunda-feira, 3 de abril de 2017

343º momento cultural: Ausgeblasene Eierschale

Devo ser a pessoa em Viena que mais peças polacas viu sem saber polaco! E lá vão quatro! Desta feita a minha amiga dramaturga mudou de função e era a encenadora e eu lá fui ver o que ela andou a encenar.
O esforço que é estar a ver a peça em polaco (onde não entendo mais do que umas quantas palavras soltas - sim, polaco foi uma das mil línguas que aprendi algures na vida) e ler as legendas em alemão tem valido a pena, mas que é um esforço é! E que fique claro que acontece frequentemente não perceber as piadas. Mas acho que mereço logo dois pontos por cada piada, referência cultural ou outra entrelinha qualquer que consiga compreender nesta constelação linguística.
Bom, o título em polaco é "Wydmuszka" de Marcin Szczygielski, que em português seria qualquer coisa como ovo decorativo de Páscoa, que é coisa que eu acho que não é tão comum em Portugal como aqui e aparentemente na Polónia.
A peça parte de dois grandes clichés: a mulher loura e superficial que casou com o sugar daddy e a mulher encalhada, bibliotecária que já na casa dos 40 vive com a mãe. Elas encontram-se numa esquina chuvosa da vida e ficam estupefactas pelo cliché que vêem diante de si. No entanto, o que as repele é inferior ao que as possivelmente as atrai, pois voltam a encontrar-se repetidamente. E enquanto uma impinge à outra que leia livros a outra dá recomendações de beleza à primeira. Tudo muito previsível, apesar de o texto ser divertido, ainda me estou a rir com a piadinha de trolha "Se gostaste do meu nome vais delirar com o meu número de telefone!". O certo é que não obstante todas as diferenças, elas se tornam amigas e partem numa viagem juntas. E aí há um adensar das personagens, especialmente a loura, que poderia ter continuado no seu pedestal de diva - onde estava nas primeiras cenas - mas não, foi-se humanizando. Mesmo a temática saiu dos lugares comuns e seguiu para outros tão femininos como tabu, infertilidade e crianças como estorvo!
Enfim, uma boa peça para um sábado de noite! Mas a próxima, por favor, numa língua que eu entenda!

domingo, 2 de abril de 2017

342º momento cultural: Moonlight

Que há vidas duras, já todos sabemos. Por pior que seja a nossa vida, haverá alguém num degrau abaixo. Poderá servir de consolo em alguns momentos - sim, somos todos péssimas pessoas - mas é desolador quando olhamos para essas realidades com olhos de ver. Moonlight é a fresta da porta para esse mundo. De repente temos um dealer que é o good guy, temos um miúdo fofinho e assustado a ser perseguido por bullies, uma mãe pavorosa. E é assim que o filme começa, que posteriormente vai avançando a par da vida do miúdo. Gostei do facto do filme estar organizado como uma peça de teatro, em três actos, mas gostei menos daquela câmara a rodopiar em várias cenas. O miúdo é maltratado pelos colegas na escola e atormentado pela mãe, encontrando algum refúgio no tal vizinho dealer. Pelo caminho vai descobrindo a sua sexualidade, o que no enquadramento em que vivia acaba por ser mais um motivo de preocupação/vergonha/medo. Num momento de viragem e em pleno ataque de fúria, ele ataca o seu bully-mor e acaba preso. Dez anos depois, o rapazola franzino transformou-se num daqueles negões com caparro tipo armário (a primeira imagem em que ele aparece é simplesmente maravilhosa. Filmada de costas e de cima, vêem-se as costas e os ombros nus debruçados sobre o lavatório), cheio de bling-bling, que se tornara dealer. Dez anos depois ele volta a encontrar-se com o amigo de infância. E o filme termina pouco depois deste reencontro. Mais um fim aberto demais para o meu gosto...
Gostei do filme, gostei da história, mas não entendo o Óscar para melhor filme enquanto objecto estético, mas consigo percebê-lo enquanto statement político-cultural. Li algures que se tratava do primeiro filme (americano) só com negros por um lado e por outro, que era um filme com negros onde o racismo não era tematizado.

Dia das mentiras

As piores mentiras devem ser aquelas que contamos a nós próprios, enganando-nos, mesmo que inconscientemente, e por consequência dificultando (ainda mais) a nossa vida. Coisas tão simples e aparentemente inofensivas como "tu és capaz", "ele há-de aparecer quando menos esperares", "claro que vais conseguir", "depois arranjas outro emprego melhor", etc, etc, podem ser mentiras imensas porque não somos todos feitos da mesma massa. O que serve para uns não serve para outros. Não partimos todos da mesma linha de partida e a meta, essa então, fica muito mais longe para uns do que para outros, havendo aqueles ainda que nunca lá irão chegar. Isto destoa de todos aqueles discursos motivacionais que estão em voga, mas qual é a vantagem de criar ilusões desmesuradas? Fazer com que a queda seja mais dura? Pois, eu também não sei. Mas parece-me que termos conta do nosso tamanho, alcance e acima de tudo aceitarmos as nossas limitações é meio caminho andado para uma vida mais feliz. Estar grato com o que temos e cultivarmos essas potencialidades e não ambicionando a medida do vizinho lado. É bom para ele, mas se calhar não nos convém a nós. Aquilo que sempre quisermos, na prática pode não ser nada daquilo que imaginámos.
Nos últimos meses tenho reflectido muito sobre estas questões - não parece, mas tenho - e realmente desde que reconheci que determinados modelos que sempre almejei se calhar não são os mais adequados à pessoa em que tornei (ou seja, eram grandes mentiras que me mantiveram iludida à procura ou à espera de Godot), a minha vida desemperrou, soltou-se e a engrenagem funciona. Aceitei que a minha vida não tem de ser como a dos outros e que isso não é mau. Antes pelo contrário, tenho uma vida de luxo e estou muito grata por ter tudo o que tenho e ser tudo o que sou. E o caríssimo leitor é testemunha disso tudo. É paradoxal eu andar a pensar nestes termos e na verdade se tiver de dizer duas frases que me orientam a vida são: "A diferença entre o possível e o impossível é a vontade de cada um" e a minha estimadíssima bússola: "Audaces Fortuna Juvat". Continuo a acreditar piamente nisso, mas moderando as expectativas e sobretudo as projecções futuras.

sábado, 1 de abril de 2017

From Paris with quelque chose


Maria Calíope manda uma mensagem a fazer conversa, referindo que viu o filme que o seu interlocutor vira na semana anterior. Passadas umas horas, o interlocutor liga-lhe (!) surpreendemente para fazer crítica de cinema (!!) (a sério?! é que estou mesmo a imaginar o gajo com uma rencensão crítica preparada e pronta a debitar só à espera de que eu dissesse que tinha visto o filme!). Vale a pena ter em consideração que nunca tínhamos falado ao telefone, mas artes parecem-me sempre um motivo louvável para o que quer que seja. Agora pensando bem, em 5 - 10 minutos conseguimos falar de cinema, teatro e música. Também falámos do tempo claro! 

Parece-me muito bem lançado. Por isso, podemos deduzir que o espírito dos últimos meses continua em Abril.