terça-feira, 17 de outubro de 2017

Declaração de IRS

Depois de estar a explicar todas as despesas que tentei incluir na minha declaração e de ele fazer a previsão de quanto eu vou pagar (sim, tenho sempre de pagar mais... salvo erro nos últimos anos só uma vez é que recebi dinheiro... segundo o meu contabilista é muito bom sinal, porque se pago mais é porque ganho mais... - eu nunca me deixei convencer por esta lógica - continuo a achar que pago impostos por mim e por mais dez), o meu contabilista fecha a aplicação das finanças e diz:

"Então e conte-me lá por que sítios giros esteve no ano que passou!"

Em 30 segundos, tínhamos aberto o mapa de Cabo Verde e eu estava a explicar o que significava crioulo...

segunda-feira, 16 de outubro de 2017

Preferências

No outro dizia aqui que o meu pai não teria gostado muito de eu ter adquirido uma televisão Panasonic, quando a sua marca de eleição era a Sony. Alimentando esta sequência de pensamentos, desatei-me a rir, pois pior que as televisões seria se alguma vez aparecesse em casa a conduzir um Audi ou um BMW... Carros alemães, sim, mas só Mercedes, caso contrário deserdar-me-ia!

(Já faz nove meses...)

domingo, 15 de outubro de 2017

Eleições na Áustria

Eu só acompanhei a recta final, por isso escapou-se-me toda a dirty campaign - supostamente foi a campanha mais suja de todo o sempre austríaco. Voltou a ganhar o centro-direita coisa que não acontecia há largas décadas. O que me surpreende não foi isso, mas o facto de ter sido um indíviduo com 31 anos ter conseguido carregar o partido todo e conseguido ganhar aos pontos tanto a socialistas como à extrema-direita. No entanto, vai precisar ou de uns ou de outros para formar governo... Bin gespannt, como diria em alemão. (Não faço ideia do que vai ser deste Chanceler - o miúdo de 31 anos - já tinha achado má ideia, ele ter sido Ministro dos Negócios Estrangeiros aos 28... mas gabo-lhe a coragem).

Continuo a manifestar a minha indignação pelo facto de não poder votar na Áustria. Mas hoje soube que os estrangeiros residentes não são os únicos que não podem votar. Escandalize-se o caríssimo leitor, todos os membros da antiga família real/imperial, os Habsburgs, estão proibidos de votar na Áustria! Não fazia ideia disto... Pior, pessoas "plebeias" que casem com um Habsburg perde o seu direito de voto... Caiu-me tudo! Se a antiga família real não pode votar, os estrangeiros nunca terão esse direito...

sábado, 14 de outubro de 2017

Grão a grão

Não sei se o querido leitor estará preparado para a envergadura do momento que se segue...
Maria Calíope nas suas compras semanais encontrou pela primeira vez em quase 15 anos de vida austríaca grão-de-bico enlatado no supermercado!!! Foi um momento tão inesperado quanto grandioso que Maria Calíope açambarcou logo duas latas e decretou um menu temático para a semana que se avizinha. Sopa de grão, salada fria de grão e não sei bem mais o que se pode fazer com grão, mas hei-de descobrir! (Não me digam humus, que isso eu já compro feito no supermercado).

quinta-feira, 12 de outubro de 2017

Plasma

Comprei a minha televisão quando vim para esta casa lá nas calendas de 2005. Tinha vivido dois anos sem televisão e não lhe senti a falta, mas na altura, no espaço de dois meses, tinha mudado de casa e começado num emprego que me obrigava a estar oito horas ou mais diante de um computador, por isso não queria chegar a casa e fazer mais do mesmo. Só me parece que foi há duas eternidades e meia porque me lembro perfeitamente de hesitar comprar um modelito com vídeo (VHS) incluído... porque poderia querer eventualmente ver filmes ou não sei bem o quê (é que nunca tive filmes em VHS). Acabei por escolher o modelo sem vídeo. Era uma televisão pequena mas perfeita para as minhas ambições (só para terem uma ideia, o ecrã do meu portátil é maior que o da televisão), uma vez que raramente vejo televisão.
Agora regressada a Viena, queria ver os debates das legislativas e quando liguei a televisão, apercebi-me de que não funcionava. Houve uma mudança qualquer na transmissão do sinal que deixou de ser compatível com o meu televisor.
Nem pensei duas vezes, decidi comprar um aparelho novo e... moderno. Vou poupar-vos todo o processo de escolha, encomenda e levantamento do aparelho. Como deve imaginar o querido leitor, o nível de exigência de Maria Calíope é rasteirinho no que toca a tecnologia (depois compensa noutros departamentos) por isso basicamente qualquer coisa que comprasse ia ser melhor do que o meu televisor antigo.
Ontem estive a montar e a sintonizar o animal. O meu problema é abrir frascos, sintonizar televisores não é igualmente a minha especialidade, mas com certeza que descalçaria a bota. E descalcei mesmo! Fiquei radiante quando consegui - não foi obviamente à primeira... (também não li as instruções...) na base tentativa-erro. O meu pai ia ficar tão orgulhoso de mim que iria relevar eu ter comprado Panasonic em vez de Sony, mas diria entredentes que já devia ter comprado um televisor maior e plano há mais tempo.
Para a estreia, fiquei a ver o debate entre os dois favoritos na corrida a Primeiro-Ministro austríaco!

segunda-feira, 9 de outubro de 2017

Vaidade

Sergey Solomko, Vanity


Mão-de-obra especializada para puxar o lustro. Está tudo a brilhar.

domingo, 8 de outubro de 2017

366º momento cultural: Happy End

Tentei ver o último filme de Michael Haneke, Happy End,  na sexta e uma pessoa que estava duas pessoas à minha frente conseguiu o último bilhete. Voltei para casa. Sábado voltei ao cinema e nem havia fila para a bilheteira... "Desculpe, a sessão está esgotada!". Pois... Eu ainda fiquei por ali a tentar arranjar um plano B e foi o tempo suficiente para ouvir "Há um único bilhete restante! Se alguém estiver interessado, dirija-se à bilheteira!". Eu ainda estava ocupada a falar com o meu plano B e só quando esse plano foi à vida, fui à bilheteira ver se ainda havia o dito bilhete! Azarucho para as pessoas que vão ao cinema com companhia e estavam na lista de espera: o bilhete ficou para mim.
Se o querido leitor se lembra, Maria Calíope a-d-o-r-o-u o Amour/Liebe e teve o prazer de encontrar o sr. Haneke uma vez no metro, que foi uma simpatia, por isso a curiosidade de ver o seu novo filme era bastante. Além disso a crítica era bastante boa - eu deveria ter suspeitado...
Bom, o filme relata uma crítica à sociedade burguesa actual e à sua superficialidade... É-nos apresentada uma família meio patchwork, meio disfuncional aos farrapos. Se calhar é de mim, mas eu não liguei logo os farrapos uns aos outros. Só o fimzinho, quando o pater familias se identifica como o senhor do filme Amour, é que o filme ganhou algum interesse para mim. O final também foi bastante bem conseguido... mas de resto, well... Agora penso, que belo título: Final Feliz! :)

sábado, 7 de outubro de 2017

Do caos vem a ordem - parte 2

Consegui encomendar uma televisão - foi penoso e só vou comprar mesmo porque o mamutinho fofo que tenho cá em casa não é compatível com novas tecnologias e deixou de funcionar - para compensar o meu esforço marquei uma viagem! 

sexta-feira, 6 de outubro de 2017

Do caos vem a ordem

Estava para aqui a desesperar para conseguir marcar um voo para um destino familiar sem ter de embarcar no porão, nem empenhar três ordenados e vender um rim e meio fígado para ir... para casa. Os sacrifícios que uma pessoa faz... ainda não comecei a vender órgãos, mas os meus nervos já estão todos consumidos. A certa altura uma pessoa sente-se num mercado asiático onde está a bater o pé por meia dúzia de cêntimos. Ultrapassei em 22 euros e 16 cêntimos o limite que estipulei para este tipo de voos, apesar de toda a minha flexibilidade, jogo de cintura e disponibilidade para voos com escala. Paga a conta e prestando atenção às datas... dei por mim a organizar uma festinha! Sem querer, já tenho lista de convidados e local :)

quinta-feira, 5 de outubro de 2017

Cálculos

Algures no Verão quando comecei a perspectivar o novo semestre, ocorreu-me que este ano tinha perdido mão do razoável, que tinha exagerado na dose e abusado na carga de trabalho que me tinha posto no lombo. Que eu sou workaholic toda a gente já sabe, mas o que é que eu hei-de fazer, não acho que o meu trabalho seja trabalho-trabalho porque me dá imenso gozo e como sou exímia a tornar os meus horários em puzzles de mil peças, vou acumulando mais uma aqui e outra ali... Um dos meus problemas é ter alguma dificuldade a dizer que não (que agora já está muito melhor), outro é achar que sou capaz de fazer tudo e ainda mais um problema, pensar que mais cedo ou mais tarde consigo tirar um proveito maior do "sacrifício" actual. (Well, até ver já digo que não ou pelo menos bato o pé por melhores condições e tudo o resto tem-se verificado: tenho conseguido fazer quase tudo o que quero e tenho tirado partido de todo o meu investimento laboral de alguma forma).
Bom, mas dizia então que algures no Verão pela primeira vez achei que tinha calculado mal o meu tempo e que este semestre ia ser mesmo muito puxado... Pois, o semestre começou esta semana e eu já tive de fazer algumas piscinas, mas hoje voltei para casa por volta das 5. Ontem estava de tarde em casa...
Afinal enganei-me nos cálculos sim... mas foi por baixo! Ainda conseguia fazer mais um  part-times, um curso intensivo de árabe e um workshop de dança bharat natiam! :D 

quarta-feira, 4 de outubro de 2017

Proactividade


Foi durante muito tempo o meu nome do meio. Queria, arregaçava os braços e 'bora lá. No que dependesse de mim estava resolvido. Umas vezes ganhei, outras perdi, mas é como tudo na vida.
Todavia parece que deixei de usar a minha proactividade há uns anos... para me ajustar mais ao meio ou tentar qualquer coisa diferente. Os resultados não foram melhores.
Não sei se entretanto voltei à casa de partida ou se caí em mim, o certo é que com a bagagem que fui acumulando, resolvi voltar a envergar o meu nome completo com todas as características nele implícito. Se proactividade faz parte da minha essência não tenho de fingir que sou de outra estirpe.

terça-feira, 3 de outubro de 2017

Regresso às aulas

Na edição deste ano lectivo do regresso às aulas, fui dar uma cadeira nova, numa faculdade nova e com imensos alunos novos. Hoje tinha tantos alunos diante de mim como mais do que total de alunos que tive no semestre passado... em duas faculdades! No joke. E havia de tudo como na farmácia: 13 nacionalidades, gémeos, crianças nascidas em 1998, etc.!!!
Face às novidades que já previa, fui em versão hard-core, ou seja, saia de cabedal preto, casaco de domadora de circo, saltos, unhas e batom vermelho. Apresentei as regras do jogo e espero tê-los assustado um bocadinho. Eles não abriram a boca. E eu, claro, obriguei-os a falar!
A aula foi sendo dada e de repente já estava eu na minha praia - esquecendo-me que não devia rir, nem fazer piadas - adorei! Esqueci-me também que não queria falar com os alunos em alemão para os deixar menos à vontade. Só depois é que reparei que sem querer dei a minha primeira aula (aula mesmo a sério com alunos reais) em alemão (não faz ideia o querido leitor a dimensão que isto tem para mim).
Saí da sala radiante! 
(E eles vão sair do semestre a falar português)

segunda-feira, 2 de outubro de 2017

Tigre branco

Estávamos a falar de tigres e outros felinos.

- E além disso o que te faz ronronar?
- Depende do sítio e da hora...
- Ah! Eu estava a referir-me aos hobbies...

(ahahahahahahahahahahaa desde quando é se ronrona num hobby... desconfio que há todo um mundo que desconheço ahahahhahahahahah)

Wollen wir...?


domingo, 1 de outubro de 2017

Meu querido mês de Outubro!

Depois do regresso em grande do Outono, eis que chega outro senhor tão ou mais desejado que o Outono. Outubro está de volta e eu rejubilo! Outubro é o mês por que mais eu espero o ano todo, mesmo que nos últimos anos (décadas) tenha sido palco de grandes desgostos, dissabores e outros amargos de boca. Altas expectativas, quedas ainda maiores. Eu assumo as minhas culpa e liberto Outubro desses karmas (ou simplesmente mau planeamento da minha parte). Este ano será diferente! Não há expectativas, por isso não haverá quedas. O que vier é lucro!
O Outono começou em grande e por isso em Outubro vai ser sempre a subir (eu disse que não havia expectativas?! ahahahhahaha) Outubro nunca me falhou e este vai estar ao rubro!

7 dias em Estocolmo e 7 fotografias

 Cheguei a Arlanda e dei com esta frase em Alemão: "sou um cidadão do mundo, sinto-me em casa em qualquer parte". Não me identifico a 100%, mas digamos que revejo-me em muitas das letras...

Estocolmo tem água por todos os lados e isso faz com que a cidade seja tão mais simpática. Apanhar o barco para ir ali parece exótico, mas faz parte da rotina de uma série de pessoas!




Cidade velha

A rena que eu montei :)

Estilo sueco!



sábado, 30 de setembro de 2017

Circunstâncias


De há uns anos para cá tenho vindo a aprender a penas minhas que a gente dança a música que toca e não aquela que a gente gostaria que tocasse. É uma variante da questão da adaptação ao meio, não é? Se em vez de se espernear, se vitimizar e culpar tudo e mais alguma coisa pelas nossas sortes, talvez se consiga tirar proveito da situação. É aquela ideia de sermos nós a escrevermos a nossa história e não ser uma mera personagem de histórias de outrém...
Mais do que isso, trata-se de give chance a chance... Não sei bem como traduzir isto, mas seria qualquer coisa como dar uma oportunidade à sorte. Há janelas de oportunidade em várias esquinas, mas dou de barato que às vezes são difíceis de identificar, quanto mais abri-las.
As circunstâncias fazem-nos tomar decisões, outrora impensáveis, mas que às vezes só pecam por tardias. As circunstâncias são incontroláveis, mas o que cada um faz delas diz muito de si. E aqui é que podemos dar uma hipótese à sorte... Arriscar não precisa de ser all-in para que se possa ganhar. Há apostas com margens de erro mais ou menos calculadas, em que o que se pode perder é muito menos do que o que se poderá ganhar. Jogar sempre pelo previsível e pelo seguro pode fazer-nos esperar por milagres que nunca chegarão... E eu pelo menos não acredito em milagres. Se quero milagres, arregaço as mangas. Nem sempre resulta, mas até ver não me posso queixar.

363º - 365º momentos culturais - Especial Estocolmo

Para além do maravilhoso concerto do John Legend, ainda fui cultivar-me com outras atracções locais.

363º: Fotografiska Museet
O dia estava tristíssimo, cinzentão e com aquela chuvinha irritante que molha pouco mas chateia muito. O dia perfeito para ir a um museu e saiu na rifa o de fotografia. Aparentemente um ex-libris da cidade. Adorei a exposição Being There de Paul Hensen. Eram fotografias tão belas como duras de situações perto e longe, onde pessoas passam mal, pela pobreza, pela fuga, por pressões políticas, por perseguições raciais, por migrações forçadas. A outra exposição que me transtornou bastante foi a Last Night in Sweden, não pela exposição em si, mas pelo que a motivou. Tratava-se da ilustração de vidas quotidianas a propósito de um atentando em Estocolmo em Abril deste ano. Quando a minha colega me explicou o que se passara, eu tentei puxar pela memória e em nenhum canto havia vestígios de atentados na Suécia... desconfiei ter sido em alguma altura que eu estava a viajar para nao ter estado tão atenta aos jornais, mas mais tarde apercebi-me de que não. Infelizmente a quantidade de atentados na Europa nos últimos anos tornaram-me (/nos) um bocadinho menos sensíveis para estes casos. Fica apenas a ideia de ser "mais um", tal como acontece quando há atentados no Afeganistão ou no Iraque. Confesso ter ficado com vergonha de não me ter recordado...

364º: Museu Vasa
Este museu foi uma autêntica surpresa. No guia apresentava-se no 1º lugar de sítios a visitar em Estocolmo, mas pela descrição eu não percebi bem porquê... Estando lá, a coisa mudou de figura e ainda bem que lá fui. Trata-se da versão sueca do Titanic, mas avant la lettre, ou seja, nos finais do séc XVII. Um barco gigante daqueles que durou anos (décadas?) a ser construído, levando a bordo milhar e meio de pessoas, afunda-se na sua viagem inaugural, 20 minutos depois de ter partido...
Agora há uma década e tal o barco foi recuperado de alto mar e exibido no tal museu. O galeão (não sei se será galeão, mas não faz mal) é enorme e muito imponente e é obviamente a peça central do museu. Mas à sua volta encontram-se várias reproduções em tamanhos diversos, de partes ou da totalidade do barco que recriam toda a vida a bordo. Está mesmo muito bem feito! Vê-se os diferentes compartimentos, a tripulação toda descriminada, há um simulador dos ventos e dos instrumentos de navegação do barco, a descrição da fachada e até as estrelas do céu. A mim causou-me alguma confusão haver tanta gente no barco e só haver um cozinheiro. Outro pormenor engraçado é que o barbeiro a bordo também fazia de dentista e enfermeiro. Só não consegui ver o vídeo onde se explica porque é que o Vasa afundou (quando ia ver estava a dar a versão sueca). Gostei mesmo muito e recomendo.

365º Skansen
Skansen ocupava o 2º lugar de coisas a ver na cidade... mais uma vez, a descrição do guia não me convenceu, mas o dia em que fui lá estava muito bonito por isso valia a pena andar ao ar livre. Trata-se de um museu a céu aberto que reproduz a vida na Suécia em 1870. Casas antigas, pessoas todas rigorosamente trajadas nos seus afazeres quotidianos, toda uma série de edifícios típicos da cidade (escola, igreja, ferreiro, mercado, ...) e o que eu gostei mais foram dos animais do norte... Agora que penso melhor, para além de alces, ursos, renas, lobos, etc... quem mereceu mais fotografias minhas foram os pavões! Só agora me ocorre que assim de repente não associo de imediato "animal do norte" a "pavão"... mas também não sou purista! Tirei imensas fotos aos pavões e nunca estive tão perto deles. Foi muito giro! Mas para mim é daquelas coisas que se vê uma vez e está visto.




(Pode ser que depois ponha aqui algumas fotos. Agora o tempo urge para outras coisas).





sexta-feira, 29 de setembro de 2017

Ouve-se

isto (Calvin Harris - Slide) cá em casa e dança-se também! 


quinta-feira, 28 de setembro de 2017

362º momento cultural: John Legend em Estocolmo


Como fui anunciando desde que descobri esta conjugação improvável de agendas, fui ver o John Legend radiante da vida, sabendo de antemão que ia ser com certeza um dos pontos altos da estadia na Suécia.
O querido leitor lembrar-se-á com certeza que Maria Calíope viu Mr. Legend há dois anos aqui em Viena na véspera dos seus anos, num concerto que lhe encheu todas as medidas, ou seja, a expectativa era alta...
A produção foi maior desta vez, havia mais gente em palco, havia painéis com coisas projectadas, além do piano de cauda. Ele cantava, tocava, dançava e interagia com o público. Não me posso queixar, mas nunca tinha reparado que ele dançava tão mal, vá compensa a cantar e a tocar, é para isso que a gente o foi ver! E cantou músicas novas e antigas. Eu estava animadíssima a acompanhar tudo e com aquela aposta que fiz convosco em mente. Não havia meio de ele cantar a PDA nem a All of me... por isso tudo sequinho e eu cantava e dançava animada.
Às tantas, ele despede-se e a banda também vai embora. Não tive dúvidas, o melhor iria ficar para o fim. O público sueco fez barulho e ele voltou ao piano num cenário intergaláctico e saiu a All of me.
Eu não tive meias medidas, saquei da máquina fotográfica e comecei a filmar, enquanto cantava também. Estava concentradíssima e sem qualquer sinal de emoções descontroladas. Mas foi só eu desligar a máquina a meio da música e saltaram-me olhos fora duas lágrimas gordas que me rolaram cara abaixo, sem barulho, sem fungar, sem som, sem baba, sem escândalo, nem vitimização. Duas lágrimas gordas. Só isso. Perdi a aposta, mas voltei a ter as rédeas da minha vida na mão e isso é impagável! Tenho uma vida de luxo e eu sei disso.


Ele cantou mais duas músicas e voltou a ir embora. Eu mantive-me sentada, à espera que voltasse de novo... afinal, faltava a PDA... De repente acenderam as luzes da arena e eu incrédula sem perceber porque é que ele não tinha cantado a PDA. Como é que é possível? Talvez possa escrever uma reclamação! Enfim. Gostei mais do concerto em Viena, mas ir ver John Legend em Estocolmo foi sem dúvida fabuloso. PDA arranjei eu depois :)

Não tenho alunos, tenho fans!

Este título nem sequer é original, mas é uma ideia que volta e meia volta a pairar na minha cabeça. Há duas semanas estive em Mainz numa conferência e encontrei uma cara conhecida que não conseguia situar. Falámos um pouco e apercebi-me tratar-se de uma ex-aluna, que tinha assistido às aulas do meu primeiro Erasmus em 2011 e depois a uma palestra que dei no âmbito de uma outra conferência. Naquelas coincidências que só me acontecem a mim, a rapariga está a fazer um joint study entre Mainz, Vilnius e Estocolmo. E quando lhe disse que ia dar aulas em Estocolmo ela garantiu que lá estaria, mesmo depois de lhe explicar que se tratava de um curso básico. E esteve. E gostou. Agora me recordo que no meu Erasmus no Porto, estava lá também em Erasmus um aluno meu de Viena e que fez questão de ir assistir a uma das aulas!
Bom, o mais curioso foi ver os meus colegas a tirar apontamentos!
Realmente, continuo a insistir que quando as pessoas fazem as coisas com gosto, isso sente-se e vê-se e eu a dar aulas transformo-me noutra pessoa. Believe me!

quarta-feira, 27 de setembro de 2017

Segundas oportunidades

Chapéu preto ligeiramente descaído para a direita, blazer em cabedal preto, camisa branca abotoada até ao último botão, oculto por um generoso laçarote preto de cetim, saia preta travada, collants pretos opacos e mocassins em verniz com uma parte em camurça. Bigode bem desenhado, barba qb e uma argola com um ligeiro rendilhado na parte central e inferior do nariz. Ninguém que se vista assim passa desapercebido e a mim captou-me logo a atenção. Um estilo admirável por ser simultaneamente tão cool, tão sóbrio e tão improvável. Não conheço muitos homens com eles no sítio para usarem uma saia. Muito menos homens a quem uma saia caia tão bem. (Ok, mera especulação, pois nunca vi amigo meu nenhum de saia).
Vi-o no aeroporto de Viena e fiquei a observá-lo. (Lembrei-me logo deste episódio). Quando o vi a entrar para o meu voo para Estocolmo, ocorreu-me que tinha de lhe congratular o estilo. Lembre-se o querido leitor que Maria Calíope tem aquele desejo antigo de passar um bilhetinho a alguém com a mensagem “És o gajo mais fixe do metro” saindo no momento em que as portas fechassem. De há uns anos a esta parte, Maria Calíope tem-se esforçado por dizer verbalmente quando algo lhe agrada e este tipo tinha tudo para merecer todos os elogios... Portanto, só faltava juntar coragem e abordar o indivíduo. Inacreditavelmente, o tipo não só chegou a Estocolmo no mesmo avião, como fomos os dois no mesmo autocarro para a cidade. Uma pessoa com este look deve estar cansada de ser abordada por comentários mais ou menos louváveis e chegando a Estocolmo e entre portas giratórias perdi-lhe o paradeiro, perdi o momento e perdi a minha oportunidade.
Hoje de regresso a Viena, saí da Universidade a correr com medo de estar a estimar mal o tempo para o meu voo e fui à procura do autocarro que me levasse ao aeroporto. Cheguei, subi, sentei-me e de repente vejo o chapéu descaído para a direita, a saia travada, o blazer em pele e o laçarote… Maria Calíope nem queria acreditar na coincidência do tipo estar precisamente no mesmo autocarro do que ela. Se tivéssemos combinado, nunca teria sido tão fácil. Mesmo dia, mesma hora... o mesmo autocarro e o mesmo voo (e diga-se que há autocarros de 10 em 10 minutos e 5 voos diários). Não faço ideia se ele deu conta da minha presença ou não, mas tive cerca de meia hora para engendrar um plano, sem o perder de vista. A vida resolveu dar-me uma segunda oportunidade e quem sou eu para a recusar?
Chegados ao aeroporto, saídos do autocarro, não tive meias medidas: “Vais para Viena? Acho que viemos no mesmo voo!” O gelo estava quebrado e resultou numa amena cavaqueira de mais de duas horas. Tínhamos os dois chegado cedíssimo ao aeroporto por não saber bem como estimar o tempo de transporte entre a cidade e Arlanda. Disse-lhe obviamente que tinha gostado bastante daquele estilo dele, mas a conversa teve corpo noutros temas. Na semana passada nem tinha reparado no verniz preto nas unhas e entre o despe e veste do detector de metais vi pulseiras, correntes e entrevi algumas tatuagens.
Já em Viena e muita conversa depois, descobrimos que ele é amigo de um ex-aluno meu e ele lá me explicou as suas opções estéticas, que têm mais a ver com comodidade e sentido prático do que um statement. Ainda perguntou se eu não queria ir comer qualquer coisa e eu chutei para o fim-de-semana...

Realmente, Maria Calíope is back on track, na mó de cima, a aproveitar janelas de oportunidades que se apresentam no seu radar e a conhecer homens com chapéus em circuitos aéreos (Viena-Riga e Lisboa-Santiago! O mundo faz sentido de novo! Gut so!

Limpezas de Outono

Nunca pensei que a fórmula 130X lavasse tão branco. 
Depois da faxina reforçada vem o quê? Enxaguar? Polir? Passar o pano? Ligar o ambientador?

Nota-se muito que Maria Calíope não tem muita prática (nem sequer teoria) nestas andanças?

O importante é que missão cumprida: limpinho, limpinho!

(Amanhã já me vou embora, por isso deixem-me lá aproveitar o ambiente e brindar o querido leitor com uma imagem meramente ilustrativa e completamente aleatória de um sueco qualquer! Até consegui enfiar o Ibrahimovic nos meus exercícios de hoje, ora vejam lá se eu não sou uma professora prendada. Os miúdos adoraram, claro!).

Estocolmo, à 01:08

terça-feira, 26 de setembro de 2017

Odds fixas

Uma das motivações para vir para Estocolmo foi a casual coincidência da minha agenda de trabalho com a do John Legend. Estava entusiasmadíssima com esta perspectiva há mais de dois meses, entretanto esmoreci, por motivos que agora não vêm ao caso, o que resultou num jejum rigoroso a John Legend e kizombas em geral. Voltei a animar, mas não voltei a consumir os ditos produtos, por isso não sei bem como reagirei amanhã no concerto. Há uns dez dias tinha a certeza que ia chorar baba e ranho, hoje parece-me que vou lá estar aos pulos e saltos a cantar todas as músicas. 
Portanto, façamos as nossas apostas:
Maria Calíope chora por ouvir a All of Me: 1,50
Maria Calíope não chora por ouvir a All of Me: 1,40
Maria Calíope chora por ouvir outra música qualquer: 2,20
Maria Calíope sobe ao palco para cantar a P.D.A: 12,00

segunda-feira, 25 de setembro de 2017

Boas pessoas

Julgo que o cerne das pessoas só vem ao de cima em situações pseudo-extremas. No rame-rame quotidiano ou quando tudo corre de feição somos todos boas pessoas, até os psicopatas. O pior é quando o quotidiano tem uma lomba ou um desvio e de repente há aquele interruptor que activa a pessoa real, com instintos primários e tudo o que vier associado. Muitas vezes a máscara da normalidade cai e as pessoas transformam-se. Continuo a achar que é nesse tipo de situação pseudo-extrema ou, vá, não programada que as pessoas mostram do que são feitas.
Cada vez me surpreendo mais com as pessoas, não necessariamente pela positiva. Cada vez há mais pessoas que me desiludem, que me entristessem e que me chocam com comportamentos completamente despropositados. Às vezes, apetece-me dizer que detesto pessoas... mas também não sou especialmente fã de animais nem plantas, por isso não me sobra muito a que me agarrar.
Enfim, também eu devo ser boa pessoa... até ver.

domingo, 24 de setembro de 2017

O Outono chegou



e trouxe com ele bichos-carpinteiros e um artigo meu publicado em Portugal.

Se não me falha a memória, uma première...
Em mainstream com certeza.

sábado, 23 de setembro de 2017

130X



Uma autêntica fórmula "abracadabra" em sueco.

(Com direito a Southampton - Manchester United e tudo!)

Estocolmo, às 19:50

sexta-feira, 22 de setembro de 2017

Adivinhem quem chegou?

O Outono!

Voltou a ser Outono! Folhas douradas! Cores quentes! Raios de sol de filigrana! Castanhas assadas (só no meu imaginário, que em Viena a castanha chega mais tarde...)! Sopa de abóbora! Tudo de abóbora a confortar-nos a alma! Este Outono vai fazer enrubescer todos os pálidos Outonos passados. Gosto tanto do Outono que nem acredito que ele tenha voltado a ser assim tão promissor.

quinta-feira, 21 de setembro de 2017

(Im)pontualidades

Chegara a um ponto em que percebeu com clareza que se enganara em todos os infinitos conjugáveis.

Conjugar infinitos apenas cabe numa cabeça que pense em português. Uma língua que nos brinda com este privilégio teria de ser motivo de júbilo. Nas outras, o nosso infinito pessoal desdobra-se e confunde-se entre indicativos, conjuntivos e condicionais. Sobretudo condicionais...

A clareza tardara, mas chegou e os infinitos desvaneceram-se. Eu larguei os verbos e passei para os substantivos. Comecei a decliná-los com hora marcada e tempo contado.

(Se tivéssemos declinações em português talvez as nossas linhas de pensamento fossem mais sistemáticas).


Estocolmo, às 02:03

quarta-feira, 20 de setembro de 2017

Batom vermelho

Já seria uma novidade, mas batom vermelho "whisper me wishes" antes das 8 da manhã mostra que o novo paradigma está em curso e que não há volta a dar!

Fixe também seria um cursinho de maquiagem... Não vá eu mudar de paradigma e ir com cara de palhaça!

terça-feira, 19 de setembro de 2017

Mudança de paradigma

Há 21 anos soube que tinha entrado na faculdade, não foi no 1º curso da minha lista, mas no 2º, que estava nessa posição porque a minha mãe me convencera que seria melhor... Apesar de não estar nada radiante com esse passo, fui comemorar o feito com dois furos na cartilagem de uma orelha. Hoje essa variante que eu desdenhei paga-me as contas e os vícios.

21 anos volvidos, deixei a minha primeira opção de exercício físico por força das circunstâncias, como expliquei ali abaixo, mas lancei-me a um novo desafio que dá pelo nome carinhoso de BBP (Bauch-Bein-Po) que é como quem diz barriga-perna-rabo.

Vamos ver se a mudança é positiva.

segunda-feira, 18 de setembro de 2017

Caiu o véu




O meu curso de dança do ventre foi cancelado...


Estou com certeza diante de uma viragem de paradigma da minha vida. Faço dança do ventre há uns 8 anos e agora de repente o curso foi cancelado. Fiquei estupefacta. Não sei o que fazer às segundas. O que estará aí por vir?

domingo, 17 de setembro de 2017

Quando for grande

quero escrever assim como o Impontual...

(vá lá ler, querido leitor, que é tão bonito e está tão bem tricotado numa imagem tão poderosa que só me apetece lamber afagar as palavras. Todas. Uma a uma.).

Se não der, pelo menos que consiga envelhecer com essa elegância!

No ar

Realmente mesmo dentro dos baixos há sempre m altinho! O meu voo foi cancelado e fui remarcada para outro voo 6 horas depois. Para o querido leitor que se calhar não tem presente o espaço aéreo europeu, é uma hora de voo entre Frankfurt e Viena e eu tenho a ideia que há voos de hora a hora. Eu lá reclamei - inicialmente estava num voo para o dia seguinte - mas resolvi tirar proveito da situação. Consegui que me remarcassem novamente para um voo uma hora mais cedo e um voucher de refeição - que é obrigatório - mas se eu não tivesse pedido insistentemente não teria recebido. Fui para um restaurante, almocei e aproveitei para ir despachando trabalho. À hora do meu voo lá embarquei e fiquei toda contente quando vi uma amiga minha aqui de Viena, que estava também na conferência, mas o cómico da viagem foi quando começaram distribuir as porcariazitas que eles chamam de snacks e eu bater os olhos no meu ex-namorado austríaco. Foi tão cómico! Fiquei a observá-lo. Realmente já se passaram uns 20 anos e não acho que a idade e a passagem do tempo o tenham favorecido. Engordou, perdeu cabelo e parece um homem completamente desinteressante. Em tempos (há 17 anos para ser precisa) eu achava que este era o homem da minha vida e agora ao vê-lo ali a girar ora para um lado ora para o outro a dizer "Süss oder salziges, sweet or salty" nem sei explicar porquê.
Quando ele me viu, lançou um "Mas tu estás com um óptimo aspecto!" e eu se fosse uma pessoa educada teria retribuído o elogio, mas como não gosto de mentir, especialmente em casos flagrantes, apenas concordei com um "pois". Ainda estivemos um pouco à conversa e foi óptimo revê-lo.
No entanto fiquei a pensar nas voltas que a vida dá. Foi este indivíduo que me fez querer vir para a Áustria e nem que seja só
por isso estar-lhe-ei eternamente grata. 

sábado, 16 de setembro de 2017

Porta a porta

E de repente estávamos a disputar o ederdon da cama - curiosamente nem era o pouco espaço disponível em 190x90 - mas subitamente eu vou para o outro quarto (o meu) para onde estava a ir o meu pai. E eu assustei-me e chorei ao ver quão frágil ele estava, mas em simultâneo estava a pedir a todos os santinhos para que o indivíduo não fizesse barulho, não fosse o meu pai perceber que havia gente no quarto do lado!

Ai o tetris que vai na minha cabeça! Como é que consegui articular o meu pai e "aquele macaco"*(expressão muito cara ao meu pai para designar qualquer indivíduo do sexo masculino que estivesse num raio de 100 metros de mim ou da minha irmã.) no mesmo sonho.

Mas acho que foi a primeira vez que sonhei com o meu pai e fico feliz por isso, ainda mais hoje, quando passaram oito meses do fim de muito sofrimento.



*não vá eu no futuro me perder nos meus pensamentos e ficar a pensar qual dos possíveis macacos é que era, fica já a solução: LL 

The Calíope Show

Afinal a minha palestra ainda conseguiu ser melhor que as minhas compras da P2
Eu gostei imenso - o que nem sempre acontece, basta lembrar-me da minha comunicação em Macau - e parece que o público também. Os meus colegas de secção vieram falar comigo no fim e surgiu inclusivamente um convite para eu ir dar umas aulas ou organizar um mini-curso numa universidade escandinava. 

Eu não poderia ter terminado a conferência melhor.

Como compensação - porque a vida é feita de altos e baixos - o meu voo de regresso foi cancelado e eu estou retida em Frankfurt, esse grande aeroporto - pelo menos isso.

sexta-feira, 15 de setembro de 2017

Missão cumprida



A minha palestra é só amanhã, mas o mais importante já está despachado. Já aviei batons e vernizes para o próximo ano e ainda trouxe um rímel e um eyeliner! Grandes compras se fazem na Alemanha:)

Pés no chão (186)

Esta sequência calhou mesmo bem! Acho que eu estava mesmo precisada de orientação - não necessariamente lá em Nova Iorque - mas agora nos dias que correm!

quinta-feira, 14 de setembro de 2017

Pés no Chão (185)


Os meus pés continuam por Nova Iorque, já euzinha ando noutras paragens! Mas o que eu adoro estas mensagens de orientação!

quarta-feira, 13 de setembro de 2017

Coincidências do demo

No cocktail da inauguração da conferência onde estou no espaço de 10 minutos:

- Um professor reformado tenta meter conversa comigo e entre outros absurdos pergunta-me: "Tem raizes na Etiópia?" (Etiópia!!!! Nunca ninguém em quase 40 anos me tinha perguntado se tinha ascendência etíope... tinha de ser precisamente agora).

- Uma conhecida de outras conferências não só está na minha secção, como vive em Estocolmo... Já temos encontro marcado para a semana. (O querido leitor não sabe do drama que Estocolmo está a ser, tanto a titulo pessoal como profissional, por isso pessoas conhecidas em Estocolmo vão ser uma bênção!)

Mongúcia (ahahahhahaah), às 22:40 

Pés no chão (184)

Voltámos a ter Pés no Chão e voltámos em grande com liberdade na State Island!

terça-feira, 12 de setembro de 2017

361º momento cultural: Viceroy's House

Regresso a Viena e regresso às minhas rotinas. Ainda não consegui voltar a ir nadar, as idas ao cinema voltaram a constar do programa. Trouxe uns quantos dvds de Lisboa, tenho um programa qualquer instalado que me permite ver não sei quantos filmes, mas quem me tira o facto de me refastelar no cadeirão do cinema e pensar "Entertain me!" tira-me tudo! Por isso, lá fui eu para o cinema ver um filme qualquer. O que me saiu na rifa foi este Viceroy's House que em alemão o bonito título de Estrela da Índia.
O filme é mais um semi-documentário com muito de biografia e um romance inter-religioso pelo meio. Aquilo apresenta muito coisas boas que a Índia pode apresentar palacetes sumptuosos, guarda-roupa rico, pessoas com feições muito bonitas, o próprio Gandhi - e faltava a comida, mas não apareceu - mas também apresenta muito do pior da Índia: os conflitos interreligiosos, a pobreza e a miséria humana daí decorrente.
A acção passa-se em 1947 e trata da chegada do último Vice-Rei da Índia britânica que se ocupa do processo de transição e de negociação da independência da Índia. Eu já tinha lido qualquer coisa sobre isto, mas já não me lembrava que o Paquistão é resultado da divisão da grande Índia britânica entre hindus e muçulmanos. Dura
nte o filme apreciamos a negociação entre as partes envolvidas e todos os jogos de poder. O resultado é terrível e gera tanta miséria, tanto sangue, tanto sofrimento que não consigo imaginar que haja interesses materiais que possam ter governado este tipo de decisão.
Pelo meio surge um romance proibido bem ao estilo bollywood, só que em vez de ser entre ricos e pobres era entre hindus e muçulmanos. Via-se logo que no fim eles iam acabar juntos, mas eu voltei a ficar com os olhos marejados de lágrimas quando eles se reencontram, depois de ela escapar a um massacre e aparecer num campo de refugiados onde ele trabalha... Estou uma piegas... que vergonha.
Recomendo vivamente o filme.

segunda-feira, 11 de setembro de 2017

357º - 360º momentos culturais - Especial voos

O problema de vos relatar aqui coisas requentadas é que a minha memória já não estar assim tanto para as curvas e eu mal me lembro ao certo do que comi ontem quanto mais que filmes vi há 2 meses. O que me aborrece é que fiz dois voos de praticamente 12 horas cada - e a única coisa que me motiva para fazer longo curso é a quantidade de filmes que posso ver - e não conseguir lembrar-me ao certo do que vi... especialmente no regresso, onde fiz o voo de dia, ou seja, dormi pouquíssimo. Então vamos lá tentar fazer um exercício de memória.


357º: Monsieur Lazhar
Relata a história de um professor argelino que se candidata a substituir uma professora que se tinha suicidado. A reacção dos alunos ao novo professor e aos métodos mais "old school" não se fazem esperar. O próprio professor vive um problema de clandestinidade para além de ter de lidar com eventuais problemas na escola.
Era um filme que eu até queria ter visto no cinema, mas que depois se me escapou. Não sei se o voltaria a ver. Achei-o mais pesado do que parece... ou eu virei uma florzinha de estufa (o que é muito provável).

358º: Lion
Enquanto estava eu a ver o Monsieur Lazhar, o meu vizinho do lado estava a ver o Lion. E eu fui seguindo o filme, uma vez que o meu estava a ser meio aborrecido. Como já sabia mais ou menos o enredo e o filme ia tendo legendas dava para ir acompanhando... e emocionando-me... mas a páginas tantas achei abusivo eu estar a olhar para o ecrã do lado, tendo o mesmo filme disponível. Por isso, aproveitei quando o vizinho adormeceu para ver o filme - claro que a primeira hora assim, deu para passar em fast forward que já tinha visto.
Caso o caro leitor não faça ideia de que filme se trata, é uma história verídica de um miúdo de 5 anos que se perde do irmão por ter entrado num comboio de longo curso que atravessa a Índia. Perdido da família, ele vagueia durante uns tempos, é acolhido por uma instituição e acaba por ser adoptado por uma família australiana. Bom, o desespero do miúdo ao aperceber-se de que não encontrava o irmão e a gritar pela mãe levou-me às lágrimas (estão a ver, estou uma florzinha de estufa, mas que aflição... não era só pelo filho, mas a imaginar a mãe que não sabia o que lhe tinha acontecido - e o facto de serem crianças indianas a mim toca-me particularmente - isto tudo para dizer que estava lavada em lágrimas a ver o filme). Com o avançar do tempo e quase por acaso, o miúdo - já na universidade - envereda na senda de encontrar o passado perdido. E se não fossem factos verídicos, ninguém acreditaria que isto seria possível... ele mal sabia o nome dele, quanto mais o nome da sua terra e a Índia é tão grande. No fim, ele reencontra a mãe - e eu que já me tinha acalmado durante a parte australiana do filme, volto a chorar como uma madalena - que emoção, para o filho, para a mãe... e chocou-me quando a mãe contou que no dia em que esse filho desaparecera, o outro foi tolhido por um comboio... eu nem queria imaginar o que aquela mãe sofreu, no mesmo dia perder dois filhos, que horror - estão a ver a sentimentalóide em que me transformei? No fim, tudo acaba bem e a gente fica serenado com a justiça do mundo. Na verdade, para o miúdo ter-se perdido naquele comboio foi o melhor que lhe acontecera, pois a vida que teve na Austrália deu-lhe muitas mais oportunidades do que se tivesse ficado na aldeia indiana, mas o sofrimento das pessoas é algo que me perturba e muito. Mas vejam o filme, munidos de pacotes de lenços!

359º Dancer
Chamou-me a atenção o poster deste filme, pois reconheci-o de Bratislava onde vira um corpo esculpido e tatuado e resolvi fotografá-lo para animar as vistas a umas amigas, sem ter reparado que se tratava de um filme/documentário. Mas ali naquele contexto vi-o todinho, colada ao ecrã. As coisas que se aprendem no ar! Então o documentário relata a vida de Sergei Polunim um bailarino que poderia ter tido o mundo a seus pés, mas que no topo da sua carreia (com 20 e poucos anos) resolveu retirar-se. A história começa com os seus primeiros passos na Ucrânia, dos sacrifícios da família para o mandar para Londres para o Royal Dance não sei o quê, onde ele tornou-se no mais novo bailarino a ocupar o lugar de primo-balerino (perdoem-me a falta de exactidão e termos técnicos). Recomendo o filme, é maravilhoso vê-lo dançar - então aquela última peça é fabulosa, mesmo para pessoas como eu que não são grandes apreciadoras de dança contemporânea.



360º How to lose a guy in 10 days
No voo de regresso, lembro-me de querer ver coisas levezinhas e só me recordo de ver este filme e nem foi até ao fim... que palhaçada de comédia romântica. Fica aí o link se quiserem saber mais do filme... Só me lembro ainda nas primeiras horas do voo de ter uma crise de choro, mas daquelas a sério com lágrimas grossas e som e soluços ao ponto de me enfiar na casa-de-banho. Eu não sei o que tinha naquele voo, mas fui à casa-de-banho umas 4 ou 5 vezes. Tudo bem que foram 12h, mas na ida foram 11:50 e eu fui uma - que é o costume. Ainda estou para saber o que activou aquela torrente de emoções, mas naquele momento a única coisa que eu queria era... o meu pai.
Agora gostava de saber onde está a Maria Calíope durona, de coração de ferro e sem emoções, isso é que eu gostava de saber mesmo?

360º - não posso contar aquele de cima como momento cultural, daí a repetição - Big little lies
Nas últimas horas do voo, entretive-me a ver 3 ou 4 episódios desta série. Para estar a ver séries, que é coisa que nunca tinha feito num voo, era porque já não havia grande escolha de filmes, mas há aqui um lapso de umas boas seis horas... Enfim, não fazia ideia que série era esta, mas gostei imenso. As protagonistas são todas mães de crianças que andam todas na mesma escola e a série baseia-se nas dinâmicas entre elas. Assim parece série para donas-de-casas, mas pareceu-me mesmo interessante, ao ponto de ponderar continuar a vê-la em casa (Acho que a última coisa que vi em série foi Sexo e a Cidade? CSI? pronto só para perceberem de que ave-rara se trata).


domingo, 10 de setembro de 2017

Compras em Hong Kong

A viagem asiática acabou com um dia em Hong Kong. Queria voltar a Hong Kong para uma missão muito específica: ir às compras. Quando estive em HK da outra vez, lembro-me perfeitamente de querer trazer o mercado todo para casa, mas já tinha a mala cheia por isso tive de ser comedida. Por isso, desta vez moderei as compras em Macau (que foram nulas) e em Hanói (poucas), para ir mais à vontade para o Lady's Market. E lá fui eu. Tinha uma tarde disponível e fiz muito bem uso do meu tempo. Andei para a frente e para trás vezes sem conta, regateei tudo e mais alguma coisa e fiz umas belas compras. Pelo caminho ainda deu para beber um daqueles sumos estrambólicos cuja composição é imperceptível e ir fazer uma massagem aos pés.
Havia milhentas pessoas a anunciar "foot massage" pelo mercado, mas enquanto estava focada nas compras queria lá saber dos pés. Às tantas e face aos quilómetros que andei, ao calor insuportável que estava e o facto de não haver sítio para me sentar (a banca dos sumos era mesmo só banca), lembrei-me de ir fazer uma massagem aos pés - numa espécie de 2 em 1. Massajam-me os pés e eu descansava um bocadito. Claro que nessa altura já não conseguia ver ninguém que anunciasse as ditas massagens, mas lá dei mais três voltas e encontrei uma senhora que não se fez de rogada em me acompanhar a um prédio qualquer. Eu fui com ela a pensar onde me estava a meter. Não era um salão de beleza, mas sim, um apartamento minúsculo num andar alto, cuja entrada tinha realmente cadeiras especiais para massagens, mas também um balcão/recepção, uma televisão e um frigorífico, o resto das divisões deviam ser os quartos. Estava uma mulher, a filha, o caozinho e depois apareceu o pai. A pessoa que me acompanhou resolveu negociar o tempo/preço massagem quando eu já estava com os pés em água. Aí temi que a coisa corresse mal... Eu queria os 15 minutos por 5€ (acho que era isso) anunciados inicialmente e ela já me queria impingir mais 45 min para fazer não sei o quê. Eu fui irredutível, caso contrário ia embora mesmo com os pés molhados, mas confesso que imaginei ser trancada naquele moquifo por represália. Felizmente, correu bem, a mulher lá me massajou os pés e valeu mesmo!
Regressei ao mercado e fiz as compras finais. Acabei por trazer umas quantas malas (eu sei quantas são mas não quero especificar para o querido leitor não ficar boquiaberto) e mais uns souvenirzitos (imans para a minha mãe, bonecadas para a minha sobrinha) e voltei ao meu hotel meia morta mas radiante com as minhas compras.
Entre o jantar e meter a tralha toda na mala, ainda consegui comprar uma série de tigelas giras-giras em porcelana num vão de escada qualquer. Se soubesse que só ia ter 19kg na mala, garanto que tinha trazido o serviço de louça completo!

sábado, 9 de setembro de 2017

Vietname - Halong Bay

Este está a ser o ano do regabofe e aqui o Mergulhos está a ser prova disso... Há algum querido leitor que se lembre de Maria Calíope fazer relatos de viagens com mais de mês e meio de atraso? Pois... não há, porque nunca me demorei tanto tempo a dar conta das minhas viagens. Mas este ano está a ser completamente ímpar. Nem sempre pelas melhores razões.



Como o estimado leitor se lembrará, Maria Calíope esteve em terras asiáticas no final de Julho, concretamente em Macau e a trabalho. Nessa viagem aproveitou uns diazitos extra para cumprir um desejo antigo e conhecer um país novo, afinal era um dos propósitos para 2017, e foi passar uns diazitos ao Vietname. E foi uma das melhores decisões do ano.




Cheguei ao Vietname fartinha de Macau e a recepção, acolhimento, tratamento foi tão boa, que mal tinha chegado e já estava a adorar.

O hotel e o staff foram mesmo cinco estrelas. Nunca fui tão, mas tão bem tratada em hotel nenhum. Super simpáticos, super atentos, super disponíveis. Recomendo vivamento: La Selva em Hanói. Não poderia esperar mais de um hotel.


Mas as fotos que aqui constam são do cruzeiro em Halong Bay. Nunca tinha feito um cruzeiro, mas foi bem giro. A paisagem é M A R A V I L H O S A e esmagadora.
Para além de andarmos por ali a contornar estas e outras pedras ilhadas destas, também deu para visitar grutas, fazer caminhadas para o topo de uma ilha, pescar lulas, ir à praia, fazer uma aula de tai-chi e outra de cozinha vietnamita e a minha preferida: andar de caiaque.


 Ó para mim, qual glamour star! :) O desgraçado do japonês que ia atrás é que ia a remar... eu era mais pose, tirar fotos e desfrutar das vistas! Foram dois dias fabulosos.
Depois disso foi o regresso a Hanói onde estive dia e meio. Foi pouco. Muito pouco. Deu para ver meia dúzia de coisas (o mausoléu do Ho Chi Min, o teatro de marionetas na água, mercados, ...) mas para o meu ritmo precisava de mais uns dias. No presente enquadramento não me foi mesmo possível ficar mais tempo, mas gostei tanto que estou a considerar voltar lá para o ano!