quinta-feira, 23 de março de 2017

Um dia vais ouvir...

... tens um corpo escultural!*


... os textos que a professora nos manda ler como tpc são muito interessantes!


Hoje foi o dia!
O que é que eu posso querer mais da vida? :D


*A única coisa que me ocorreu foi que a Vénus de Willendorf também é uma escultura!

Aliás tenho uma foto ao lado desta Vénus de Willendorf (Riga) porque vi logo que éramos gémeas!

quarta-feira, 22 de março de 2017

Dance as if noone would see you

Maria Calíope continua a dançar ao som da música que vai tocando e parece imparável, incansável e imbatível.
Afinal é assim que se tira o máximo da vida: seguindo a pauta e as notas que ela nos dá!


Dormir um bocadito também não seria mal pensado.

terça-feira, 21 de março de 2017

Musseque

Depois de tentar transformar o nobre distrito vienense onde moro numa Amadora, ouvindo incessantemente grandes hits da afro-pop actual, resolvi embarcar num momento quase nostálgico - não fosse eu ser avessa a esses melodramas passadistas - e regressar à dobragem do século. O caríssimo leitor pode ter a certeza que desde ontem Maria Calíope ouviu tantas ou mais vezes esta música do que em toda o resto da sua vida. Puro Style: Se eu te perco! Tenho a certeza que o cd ainda mora lá em casa algures.
Hoje o meu escritório quase virava musseque! Para o real feel - liguei para Luanda, claro está! Para além deste, ainda houve Tentação (há quanto tempoooo), Chama a polícia, SSP, Paulo Flores. E para me acalmar, e voltar ao norte, ouvi o Djodjito!

Não consigo parar de ser feliz a ouvir esta música over and over again. Não consigo dissociá-la de um daqueles dois momentos na vida em que pensei "Se morresse agora, morreria feliz", corria o ano de 2002, era um Outono quente e eu voltava para casa pela IC19 no meu QQzito. Até me lembro da minha t-shirt a dizer "No kangaroos in Austria".

O damo dança?

A pedido de muitas famílias - é rigorosamente verdade, houve várias pessoas que me pediram mesmo - Maria Calíope inscreveu-se num speed dating. Por isso, vou sacrificar-me em nome da ciência e fazer esta experiência sociológica. Ainda não tive muito tempo disponível para ler as instruções (imagino que as haja) nem para pensar no que vou vestir nem no que vou dizer. Assim de repente, ocorreu-me ter como pergunta decisiva:

Kannst du Kizomba tanzen?


(ahahhahahahahahahhaha)


Outras sugestões?

segunda-feira, 20 de março de 2017

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e adivinhem quem voltou?

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Allons y!


341º momento cultural: Scott Bradlee's Post Modern Jukebox

Ainda nem fez um ano que fui ver os PMJ, sem saber bem ao que ia. Se o querido leitor bem se lembra, Maria Calíope deu por bem gasto todos os eurinhos do bilhete e divertiu-se à grande no concerto, ao ponto de passados seis meses não ter hesitado em pagar mais 20% do preço para vê-los de novo. E lá fui eu ontem - sim, este fim-de-semana foi muito musical - para uma sala bem maior e só com lugares sentados. Tudo bem que é bem mais confortável, mas, a meu ver, para música que se quer dançável não funciona assim tão bem.
Voltou a ser extremamente divertido e obviamente não foi a cadeira que me impediu de sacudir o corpo ao som da música... mas possivelmente era a única! No meu raio de visão, só vi uma cabeça a abanar. Uma! Não sei o que é que estes austríacos comem ao pequeno-almoço... (por acaso sei, mas não vou dizer, para não estragar o meu recurso estilístico).
Impressionante foi o facto de o espectáculo ser completamente diferente do do ano passado. Assim vale a pena, mesmo sacrificandos alguma das minhas músicas preferidas. Também dei logo por falta do tipo do clarinete, que tinha sido um regalo suficiente, para um ano depois eu me lembrar dele. Mesmo assim, um espectáculo irrepreensível! Na verdade, escusava de pôr a frase concessiva, pois foi óptimo, sem mas nenhum, cantaram a Bye, bye, bye, que eu queria ter ouvido da outra vez, aquelas do Justin Bieber que não me saíam da cabeça no Verão (Sorry, Love yourself) e mais uma mão cheia delas, que agora não me estou a lembrar. Só não conhecia duas, o que não me pareceu um saldo nada mau! 
No fim, achei piada eles agradecerem ao público apoiar a existência de música ao vivo e eu fiquei a pensar nisso. Claro que é óptimo ter música enlatada em casa, mas ir a um concerto e ser-nos servido música fresquinha ao vivo é toda outra experiência. Nós, público, é que deveríamos agradecer a essa gente toda andar on the road tempos infinitos para nos proporcionar esse luxo.

(Olhem eu ali do lado esquerdo! Sou aquela sem os braços no ar! :D)

domingo, 19 de março de 2017

340º momento cultural: Rodrigo Leão & Scott Matthew



Já foi há 6 anos que vi o Rodrigo Leão ao vivo, no entanto, poderia ter sido ontem. Lembro-me de ter estado nas núvens, do princípio ao fim, portanto assim que soube que ele vinha com o Scott Matthews a Viena nem pensei duas vezes. Encontro marcadíssimo desde Dezembro! Conhecia aquela música dos dois, mas nem pesquisei mais nada.
Ontem depois dos 200km do costume e mais uma sestinha sem querer (é o que dá sentar-me no sofá) ao som de afro-pop, lá puxei o lustro a mim e segui para a Konzerthaus. Estranhamente achei pouca gente (dois terços). Portugueses então vi 2. Mas adiante. Realmente é um luxo um artista poder actuar numa sala tão bonita como a sala principal da Konzerthaus, só por isso já deve valer a pena estar em palco. Enquanto pensava nisto e vendo a fauna presente, comecei a considerar o facto do concerto ser mais do Scott Matthew e o Rodrigo Leão servir apenas de pianista de serviço, o que me desmotivou um bocadito, mais ainda quando pensei que o que me apetecia mesmo era ver o negão do outro dia ao vivo e dançar umas kizombas a sério, em vez de levar com um cantor macambúzio-sorumbático!
Os artistas entraram em palco e eu concentrei-me no que estava a ver. Duas músicas melancólicas - que pareciam ser conhecidas e apreciadas pelo público - e a terceira era a que eu conhecia. Gostei claro, mas fiquei sem saber bem o que esperar do resto. O Scott Matthew apesar daquele ar gigante e pesadão, estava bastante animado e foi interagindo com o público, mas retirou-se por uns momentos, deixando Rodrigo Leão y sus muchachos a tocar as suas músicas. Aquelas de que eu gosto. De repente tudo mudou e eu já estava a adorar o concerto. Ele não tocou o Tango Pasión, mas mesmo assim, de repente eu estava a levitar! Foi o que aconteceu no concerto de Lisboa.
Quando o Scott Matthew voltou ao palco, eu pus os pés na terra e pensei que giro, giro, era o Rodrigo Leão fazer uma parceria destas com um Djodje da vida! Isso sim! (Percebe agora o querido leitor quando eu digo que estou (sempre fui?) obsessiva-compulsiva?) Mas depois, foi o Scott que ficou a solo e lá contou umas quantas historietas e referiu-se a um álbum de covers (que aparentemente teve muito sucesso, pois o público manifestou-se) e então ele sozinho cantou a Smile (que bonitinho) e depois pediu-nos que o acompanhássemos na música seguinte. Eu não percebi de imediato o que era, mas quando dei por mim estava a cantar I wanna dance with somebody, numa versão tão diferente mas tão gira. Acredite, o caríssimo leitor, que enquanto engrossava o coro, Maria Calíope ficou com uma lágrima no olho! (Verdade, verdade! Lembrei-me de uma festa no 6º ano (!) lembro-me de estar de fato-de-treino (!!) (era dia de Educação Física) e de ter dançado muito nessa festa e ter ficado contente por haver muitas pessoas que não eram como eu, a chata de galochas!). Voltou entretanto o resto da trupe, cantaram e tocaram todos juntos, mais não sei quanto tempo. O concerto terminou, eles voltaram ainda mais duas vezes.
Foi mesmo muito bom. Foi um concerto três em um! Saí de lá toda contente e nem a chuva me chateou. Voltei para casa mais feliz do que quando saí. Devia ser sempre assim!

Feliz dia do Pai, Pai!


Seria muito triste que ao fim de mais de 30 anos não pudesse proferir mais esta frase, hoje. Como acredito que os impossíveis são possibilidades um pouco mais fora de mão, vou dizê-la na mesma e com certeza que o meu pai me há-de ouvir. Afinal, ele nunca me falhou.

sábado, 18 de março de 2017

339º momento cultural: Die Kehrseite der Medaille

Já vos tinha falado do xuxuzinho francês do teatro actual, Florien Zeller, quando fui ver a peça O Pai, em Lisboa. É um miúdo (=mais novo do que eu), mas a recepção às suas peças tem sido extraordinária, nem que seja por já estarem a ser traduzidas e encenadas. Eu adorei o Pai porque gostei muito da perspectiva em que a peça foi construída e depois pelas outras razões que o querido leitor poderá imaginar, tendo em conta a conjuntura em que fui ver a peça.
Bom, este O outro lado da medalha - numa tradução livre minha - pouco ou nada tem a ver com a outra peça. É bem mais ligeira e fez-me lembrar em certa medida o Carnage (tenho a certeza que fui ver, mas não encontro o respectivo momento cultural), uma vez em que a peça gira em volta da dinâmica entre dois casais de meia idade. Aqui o twist logo de início é que a mulher do segundo casal foi trocada por uma outra muito mais nova e assim este novo elemento acaba por polarizar a atenção de todos. Gostei bastante de como a peça foi construída, pois para além da acção expressa entre os actores, o público tem igualmente acesso aos seus pensamentos. As cenas como que congelam por breves segundos enquanto a personagem em causa partilha o que lhe vai pela alma com o público. Aqui não dá para perceber muito bem, mas o cenário era magnífico! Monsieur Zeller, vous avez gagné une admiratrice!

Fiat lux

A luz da sala não acendia hoje de manhã. A lâmpada fundiu-se e para meu azar é daquelas especiais de corrida. Depois do almoço lá fui eu comprar uma lâmpada nova.
Voltei para casa com este vestido lindo, um par de calças, alguma roupa interior, acetona, uns batons e um novo furo na orelha. Sim, algures no meio dessas compras também consegui encontrar a lâmpada.

quinta-feira, 16 de março de 2017

A maçã não cai longe da maceeira*

- És igual ao teu pai!

Ouvi isto surpreendida e sorri. Sorri porque não estava à espera, porque nunca tinha pensado nesse ângulo da semelhança e afinal era tão óbvio, porque é daqueles elogios do tamanho do mundo, que me foi dito espontaneamente, sem ter noção do impacto que estas coisas têm em mim.

Falávamos de férias e do seu significado. Eu dizia que em Portugal para muita gente, férias significa mais não trabalhar do que ir efectivamente para outro lado. Ele dizia que as gerações passadas, vá, anterior à nossa, não cultivava esse hábito de fazer férias e por isso não o imprimia nos seus filhos, que teriam de descobrir esse gosto por si mesmos. Eu concordei com a teoria, mas descartei-me logo desse modelo, explicando que para o meu pai e a minha mãe sempre foi importante irmos de férias para qualquer lado algumas semanas por ano. Na verdade, eles próprios tinham o hábito de viajar, mais o meu pai e a minha mãe mais por arrasto, antes de nós nascermos. Nos anos 60, o meu pai andara a passear pela Europa toda, não sei se é fruto da minha imaginação ter estado em Moscovo, mas é certo que tenha estado no Maio de 68 em Paris e não sei se antes ou depois no Rio. Não deixa de ser impressionante, se tivermos em conta que o meu pai vivia em Moçambique.

Foi depois deste roteiro que o meu interlocutor me identificou o bicho-carpinteiro. Não paro quieta. Sou igual ao meu pai. Não poderia ter-me deixado mais feliz!

O meu pai foi lá para aquela outra viagem faz hoje dois meses.


*É um provérbio alemão equivalente ao "Filho de peixe sabe nadar".

quarta-feira, 15 de março de 2017

Negão do momento XVI

Há duas semanas, o nome Djodje não me dizia rigorosamente. Mas cá em casa passa-se rapidamente do 8 ao 80... Pois que esta criança me apareceu pela mão de um outro negão - Nelson Freitas - numa música qualquer (Bem pa mi) ao vivo e de repente eu dei por mim a ouvir a música em loop e a querer ver o vídeo. Tem ar de safado, nada a fazer e não consigo abstrair-me disso! Bom, meio caminho andado para pesquisar mais músicas do neguinho e descobri uma mão cheia de aparentes grandes êxitos. Como é que eu nunca tinha ouvido falar do gajo? Estranhei ainda mais porque não esperava que uma criança de 28 anos tivesse já uma carreira de 14 ou 16 ou sei lá, mas sabia eu lá o que me esperava.
Tenho ouvido isto incessantemente - começo a desconfiar de que tenho gostos compulsivos obsessivos - consequência lógica: já tenho músicas preferidas (este Proibido, por exemplo, mas ouçam também Louca ou esta Poderosa), já sei letras e o melhor de tudo, estou a alargar o meu vocabulário em crioulo. O querido leitor não saberá, mas um dos objectivos da última ida a Cabo Verde passava por aprender crioulo (sim, podia ir para a Amadora que ficava mais à mão, mas não era a mesma coisa). Hoje dei com esta entrevista e percebi quase tudo (Realmente competências passivas vão sempre dois passos à frente das produtivas)!
Como se isto tudo não fosse informação suficiente, apercebi-me que uma das minhas kizombas preferidas de sempre (e de sempre significa já com uns 15 anos, dos tempos em que eu era frequentadora de Mussulos e Luandas da vida) é deste Djodjinho. Isso não seria mau, se não tivesse reparado que o que eu identificava como a voz feminina é, na verdade, a voz de um Djodje com 12 anos. Sim, 12 anos de idade! Poderia ser um miúdo dos Onda Choc cabo-verdiano, mas não, sacana do gajo a cantar Kre volta...  Estou a tentar superar isto.

terça-feira, 14 de março de 2017

Aula de português

Em português europeu o pretérito imperfeito serve muitas vezes de alternativa ao condicional. É engraçado como esta é daquelas combinações, que eu não me canso de repetir aos meus alunos: Imperfeito (conjuntivo) com imperfeito (indicativo) ou condicional. Uma das fórmulas das frases condicionais é essa mesma e nunca me tinha ocorrido que há mais vida para além da gramática. A condição mais hipotética e com poucas probabilidades de se realizar é expressa num imperfeito do conjuntivo que, se concretizada, cumpre-se no tal condicional/imperfeito. E realmente é preciso tantos ses para que toda esta fórmula resulte que obviamente ela raramente se consubstancia.
Se fosse, se fizesse, se dissesse tem cada vez menos espaço no meu vocabulário, ou vou e faço e digo ou corto o mal pela raiz e não ando a ruminar as coisas. Já perdi anos de vida e ganhei cabelos brancos com frases condicionais muito arrastadas. Agora e aqui a música dança-se ao som de "eu quero, eu vou" e sou eu quem marca o ritmo! Claro!

As vidas imaginadas até podem ser perfeitas e felizes porque nunca sairam do pretérito imperfeito, já as reais e vividas são contadas no presente ou no pretérito perfeito e nessa medida tocarão sempre a perfeição, aquilo que se cumpre e
o que está terminado. 

segunda-feira, 13 de março de 2017

Coreografia

2ª-feira é dia de dança. Há anos que esta rotina se cumpre e Maria Calíope é daquelas pessoas que muito preza as suas rotinas.
Este semestre fomos apresentadas ao senhor Tamer Hosny - na verdade, foi só hoje, uma vez que andamos há três semanas a encher choriços - e parece que temos musiquita eleita para a coreografia dos próximos tempos: Yabakht Elli Bethebeeh. A letra deve ser uma coisa do mais melosa possível, pois a professora lá nos vai dizendo que nenhum europeu seria capaz de proferir tais maravilhas. Uma vez que os meus conhecimentos em árabe não vão muito além das graças a Deus, dado que o cursito em que me inscrevi na Mesquita de Lisboa lá em meados da década de 90 não se realizou, não entendo nada, mas não duvido da interpretação da minha professora, apesar de poder ser tendenciosa, pois ela própria tem um egípcio em casa. De qualquer modo, ninguém vai para a dança oriental fazer análise textual, por isso temos é mais que ondular o tronco e sacudir as ancas. A cadência da música é hipnotizante e serve de voz de comando para movimentos sinuosos. Só tenho pena de não a dançarmos com o véu, mas pode ser que até Junho ainda consigamos integrar mais elementos!