quarta-feira, 24 de maio de 2017

Ferro

Actualmente o meu melhor amigo é o ferro, nome carinhoso e derivado de uma tradução directa do alemão para a prancha. Sem passar o cabelo pelo ferro - ou seja alisar - fico com ar de um cruzamento de cão de água e cocker spaniel... portanto a questão que se coloca agora é posso levar o ferro na bagagem de mão no avião? É que se não puder estou tão tramada...
Isto de ter cabelo com vida própria não está com nada... É só mesmo com o ferro quente que ele vai ao sítio!

terça-feira, 23 de maio de 2017

350º momento cultural: O retorno

As leituras aqui por casa são de modas. Tanto leio livros como se não houvesse amanhã, como mantenho-me a ler uns dez livros ao mesmo tempo que obviamente não acabo. Já comprar livros é um all-time-favourite. Resultado tenho sempre mais livros por ler do que aqueles que efectivamente leio. Um dos últimos que trouxe de Lisboa foi O retorno da Dulce Maria Cardoso. Queria muito o ler por um lado pelos meus próprios estudos pós-coloniais, por outro para o incluir nas minhas aulas e ainda por uns motivos pessoais que agora não interessam muito.

Se não leram o livro e estão a pensar em fazê-lo não continuem podem ficar por aqui. Eu não consigo estar a comentar o livro sem contar a história toda e estragar a surpresa toda. (Boop, ouviste? É contigo!)

Antes do enredo, deixem-me fazer um reparo à edição da Tinta da China. Que coisa bonita para o tacto, capa em relevo e cantos arredondados e capas internas ao estilo de papel de parede.
A história começa em Angola num cenário já em suspenso devido à Guerra/Independência, mas ainda relativamente pacífico. Paz podre, admito, mas ficamos a conhecer a família protagonista que lá vivia bem e como estavam hesitantes em abandonar a sua terra e ingressar na Metrópole sem saberem bem como nem porquê. O narrador é o filho mais novo da família, um rapaz adolescente que tanto descreve os problemas e dilemas com que a família se depara como relata as namoricos próprios da idade, implicâncias com a irmã e as actividades com os amigos.
Há dois capítulos logo no início que achei muito bons (os pobres futuros alunos vão passar a ter de os ler): o último passado em Angola e o da ponte aérea entre Luanda e Lisboa, onde a prisão do pai surge em flashes. Está tão bem escrito que é cinematográfico. Eu que não tenho imaginação nenhuma, vi a alternância de cenas diante dos meus olhos.
Grande parte dos capítulos pauta-se pela vida/sobrevivência em Lisboa e é deprimente, pelos paradoxos que apresenta, pela espera e pelo desespero das pessoas. O leitor partilha a angústia de saber se aquele pai está vivo ou não, se vem, se não, o que lhe aconteceu de todo e como continuar sem ele.
(Vou dizer a seguir se ele vem ou não!)
A certa altura o pai regressa e eu inicialmente pensava que se tratava de um sonho ou miragem, mas não era o pai mesmo e imaginei a alegria daquela visão, numa altura em que ele já estava assumidamente morto. A partir desse momento, a cada página que viravava estava com medo que fosse descrito o que lhe tinha acontecido. Se por um lado queria saber, por outro tinha medo de o ler. As páginas foram passando e nada, o máximo que se mencionou foram as marcas no seu corpo. Mais nada. Senti-me um bocadinho defraudada pela falta de informação, mas pensando bem, é assim que se tratou dessas feridas todas da Guerra Colonial/Pós-Guerra/Guerra Civil. Toda a gente sabe que houve e que deixaram marcas violentas, mas não se fala do assunto.
O fim também assim meio acinzentado. Não sei como poderia ter acabado de outra forma, mas aquele work in progress, apesar de muito realista não me agradou.

Concluindo, gostei bastante do livro e parece-me um retrato fiel ao que aconteceu a muitos.

Jogo da glória

Às vezes a vida parece aqueles jogos de tabuleiro infanto-juvenis como o das cobras e escadas.
Tomamos as decisões certas e calhamos na casa da escada que nos faz avançar logo uma série de voltas. Erramos nos cálculos e vamos parar à cobra que nos obriga a retroceder outras tantas casas.

Isto fez-me lembrar um dos motes de uma blogo-celebridade: a vida resolve-se sozinha. E às vezes resolve-se mesmo! (É só tomar as decisões certas)

segunda-feira, 22 de maio de 2017

E de repente




I honestly do think that meeting you was the best part of the Festival.




E Maria Calíope ficou com os olhos baços e esforçou-se para não deixar escapar lágrimas... mas nem queria acreditar no que acabara de acontecer.

domingo, 21 de maio de 2017

349º momento cultural: Ganymed fe male

O KHM (Kunsthistorischesmuseum - museu de história da arte) deve ser o museu mais impressionante de Viena. A sua imponência é igualmente marcada pela presença do seu gémeo simetricamente colocado à sua frente o NHM (Naturhistorischesmuseum - museu da história natural). 
O problema destes museus monstruosos é que nunca se consegue ver tudo, pois ao fim de duas salas uma pessoa já está semi-farta e parece tudo igual, vá, pelo menos eu sou assim. Além disso, óleos de Rubens, Bruegels e assim não são exactamente objectos da minha preferência. Por isso, saúdo qualquer iniciativa que revitalize estes museus - não que eles estejam moribundos - mas para mim estão um bocadito pela sua imensidão.
Ganymed é uma dessas iniciativas. Consiste numa série de performances de índole vária (dramatização de um texto, música, representação, etc.) que se baseiam num quadro específico. No caso da presente edição, o tema era o feminismo, por isso os quadros escolhidos tinham como foco uma mulher e a performance correspondente também. Foram cerca de 20 estações com performances distintas, umas mais bem conseguidas do que outras. Gostei particularmente do:

WE SHOULD ALL
BE FEMINISTS
von CHIMAMANDA NGOZI ADICHIE
über Mädchen im Pelz

von TIZIAN

SEINE GESCHICHTE
von VERONICA BUCKLEY
über Adam und Eva
von CONRAT MEIT
es spielen CHRISTOPH ROTHENBUCHNER

und CARMEN STEINERT

BRIEFE
von GRISCHKA VOSS
über Bogenschnitzender Amor
von JOSEPH HEINTZ D. Ä.

es spielt GRISCHKA VOSS 

ICH BIN AUS BLICKEN GEMACHT
von JOANNA BATOR 
über Das Pelzchen
von RUBENS
es spielt JULIA STEMBERGER

sábado, 20 de maio de 2017

Aviso à navegação

Quando o meu amigo Senador soube que estivera na Croácia na tal festa, ficou incrédulo e deixou escapar um "Kizomba em Zagreb?! Mas isso não é natural, Maria Calíope, isso é globalização selvagem!". Eu não fiz muito caso das perspectivas apocalípticas dele e continuei a relatar a experiência e ele, com aquela presença de espírito pertinente que lhe é característica, interrompeu-me e sentenciou: "Maria Calíope, pára! Festa de kizomba é tipo Las Vegas africana... por isso what happens in Zagreb stays in Zagreb! Não comeces com ideias..."

Pois...
Tarde demais, amigo Senador.

sexta-feira, 19 de maio de 2017

348º momento cultural: Kizomba Passion Zagreb

Acredito em reciprocidade. Recebemos aquilo que damos, deitamo-nos na cama que fizemos, what goes around comes around, ao sorrir para a vida ela devolve-nos o sorriso e essas pessegadas todas. Chamem-me de naïve (que também sou) mas para mim isto faz algum sentido. (Podia ter dado para fumar ou consumir drogas, teria sido bem pior, certo?)
Depois de ter sido convidada a dar aulas na Croácia, apercebi-me da existência de um evento que dava pelo nome deste momento cultural. Não sei como esta informação chegou a mim e muito menos no que é que consistiria, mas como o calendário das aulas era compatível e eu tenho a flexibilidade de uma ginasta chinesa, resolvi que ia lá ver o que era!
Para variar não encontrei ninguém interessado em ir comigo, mas isso não era sequer novidade e não me fez desviar do meu plano: ir dançar kizombas com quem sabe! Comprei o bilhete, marquei o alojamento e let's go!
Fiquei bem agradada por saber que havia taxi dancers, apesar de desconhecer a dinâmica dos mesmos. Foram precisos 10 minutos para saber como funcionava. Como costuma haver mais mulheres que homens nestes eventos, a organização contrata dançarinos (taxis) que têm como função dançar com quem não tem par. Era perfeito para mim e eu dancei com vários.

Apareceu-me um taxi e eu, como já tinha visto que toda a gente dançava imensamente bem, resolvi adoptar a estratégia "eu não sei dançar".
- Let's dance! (foi só o gesto)
- Sure!
 2 passos depois e eu
- I don't know to dance kizomba
- No problem...  e ele diz qualquer coisa que eu não entendi e não sei porque é que achei que era croata.
- I am sorry I don't speak Croatian. I am not Croatian.
- Ah! Nor do I... I am Portuguese!
- A sério?!! Eu também!
- Mas sou do Luxemburgo.
- Ah! Eu vivo na Áustria!

Pronto, depois deste pontapé-de-saída eu podia ter a certeza que a noite ia ser muito divertida, mas na altura nem sabia o que para ali vinha. Estive uma hora nos táxis e depois fui para um workshop para iniciantes. Fui a primeira... o tipo do staff fez a piada que talvez fosse ter uma aula privada ao que eu respondi que eu estaria precisada. Demorou a começar, mas começou comigo e três gajos... ou seja eu tinha sempre par! O workshop acabou por ser apenas 30 minutos, mas deu para aprender dois ou três passos. Eu até sou rápida a aprender é preciso é que me expliquem... a conversa do "deixa-te levar" comigo raramente pega!
Terminado o workshop eu resolvi ir estrategicamente ao meu hotel comer qualquer coisa e descansar um bocadito, pois ainda eram 9 da noite e a festa a sério só começaria às 10. Foi uma grande decisão, mas depois o meu modus operandi austríaco veio ao de cima. Então se a festa começava às 22:00, eu fui para lá às 21:50. Nem me ocorreu que aquilo era festa africana em que 22:00 não é exactamente 22:00... Resumindo, cheguei lá e estava o staff a organizar as coisas. Voltei a ser a primeira e voltei a cruzar-me casualmente com o tipo que me tinha dito que era a primeira a chegar ao workshop! Eu não ia voltar para o hotel, isso estava claro. Circulei pelos vários espaços e acabei por assentar arraiais ao lado do tipo do staff que estava na ingrata tarefa de desfolhar caules de hortelã (que nooojoooooo), mas era a única pessoa disponível para conversar comigo e eu não queria ficar ali plantada pegada ao telemóvel.
Às tantas já eram 23:50 e já tinham chegado mais pessoas e eu voltei a ir circular pelas salas de dança. Apercebi-me que havia um dress code: white wonderland. Chato eu ter ido de preto! Estive até às duas a dançar com táxis ou quem estivesse disponível e na verdade mal parei de dançar. Tenho tanto para aprender!
 Até que voltei a ver tipo do staff que entretanto já estava off-duty. Enquanto conversávamos naquele longo intervalo, eu tinha-lhe dito que iria dançar com ele antes de ele se transformar em abóbora e foi o que fiz.
Conclusão: tenho de ver quando é a próxima festa de kizomba! 

quinta-feira, 18 de maio de 2017

Sorna



Ontem dizia que estava a definhar em trabalho (e estou) e hoje consegui fazer a proeza de me esquecer que tinha de ir trabalhar! Talvez o distraído leitor não se tenha apercebido que eu não tenho só um emprego e foram raras as vezes (foi alguma?) na minha vida que tive um emprego 9-to-5. Por isso, fica o disclaimer!
Mas foram precisos mais de 12 anos para me enganar no dia em que trabalho...
(ao menos não foram aulas!)
(resolvi a coisa sem grandes dramas, depois de ter almoçado numa bela esplanada!)

Isto está bonito, está!

quarta-feira, 17 de maio de 2017

Magnética

Houve numa altura da minha vida, que já não sei quando foi, que devia havê-los ora a cair no meu quintal ora a fazer fila à minha porta... Não me lembro nem de uma coisa nem de outra, mas recordo-me de uma amiga estar constantemente a seringar-me ao ouvido:

- Turn that magnet off!!!

Hoje lembrei-me desta frase. Possivelmente o íman voltou a ligar-se (sozinho, eu não queria, eu não queria) e eu, como sou lerdinha, só dei conta já em pleno engarrafamento...
Até poderia elaborar mais sobre este assunto, mas estou a definhar em trabalho, por isso, terá de ficar para outras núpcias.

terça-feira, 16 de maio de 2017

O que ficou por ver

O meu pai teria ido ver o Papa a Fátima a 13 de Maio. Se não fosse de todo possível, teria acompanhado tudo na televisão.
O meu pai teria visto o Benfica a ganhar o tetracampeonato e ficado contente, mas sem euforias nem histerias, porque afinal eles trabalham e ganham para isso, é o dever cumprido. Não é mais do que isso.
Não sei se o meu pai teria visto o Festival da Canção, nem tenho a certeza se teria gostado da música, mas consigo imaginá-lo a dizer indignado: "Olha-me como este badameco vai vestido para a televisão! Pediu o casaco ao avô? Não teve tempo de ir ao barbeiro?... Esta juventude, realmente, vestem-se de qualquer maneira!"

Consigo imaginar a reacção do meu pai em muitas situações. Espero que isso não me passe nunca.
O meu pai faleceu há 4 meses.

segunda-feira, 15 de maio de 2017

É muita fruta!

Ao comprar uma caixa de morangos numa esquina da vida, nunca me passou pela cabeça que eles me pudessem proporcionar tantas horas de prazer. 

Realmente, cada um tem mesmo o que merece!